SÃO PAULO — A Caixa Econômica Federal mantém os pagamentos de benefícios sem atraso durante a greve dos bancários. Os depósitos de setembro do Bolsa Família e do Pé de Meia começaram a ser feitos nos últimos dias, sem registros de reclamações ou tumultos em agências. Segundo o banco, a operação é possível porque os pagamentos estão automatizados.
A paralisação nacional dos empregados da Caixa chega ao 13º dia nesta quarta-feira (23). O banco tenta encontrar uma solução por meio de negociação, sem reabrir oficialmente a mesa com os sindicatos, e não deve levar o caso ao Tribunal Superior do Trabalho (TST) por enquanto. A possibilidade de instaurar dissídio coletivo, porém, continua em estudo.
Canais de atendimento
Mesmo com agências fechadas, clientes podem pagar contas e boletos pelos canais digitais e pelos caixas eletrônicos. Estão disponíveis o aplicativo e o site da Caixa, o WhatsApp Caixa, no 0800-1040104, o Caixa Tem, os aplicativos Cartões Caixa, Habitação Caixa, FGTS e DPVAT, além dos correspondentes Caixa Aqui e da rede Banco24Horas.
Também é possível buscar atendimento pelo Alô Caixa, nos números 4004-0104, para capitais e regiões metropolitanas, e 0800-1040104, para as demais localidades. Nas agências, cartazes dos sindicatos apresentam alternativas de atendimento, e trabalhadores terceirizados podem orientar os clientes.
Financiamento imobiliário
O impacto da greve sobre os financiamentos varia conforme a unidade e a área envolvida. Funcionários que não aderiram à paralisação conseguem, em algumas agências, receber documentos, esclarecer dúvidas e dar andamento aos processos. Outras fases dependem de setores regionais ou de áreas com atendimento afetado.
A conferência dos documentos do comprador, do vendedor e do imóvel, etapa anterior à elaboração e à assinatura do contrato, está entre os procedimentos comprometidos. Também podem ser afetadas a análise de propostas, a liberação e o recebimento de documentos e a assinatura dos contratos.
Enquanto o impasse continua, compradores e vendedores podem adiantar documentos pessoais, comprovantes de renda, a matrícula atualizada do imóvel e as informações dos vendedores. Também podem corrigir pendências apontadas pelo banco, acompanhar a avaliação de engenharia e manter contato com o correspondente responsável pela proposta.
“Ficar parado durante a greve pode aumentar ainda mais o prazo da compra [quando a greve acabar]”, afirma Murilo Arjona, especialista em financiamento imobiliário.
Saques do FGTS
Todas as modalidades de saque do FGTS podem ser solicitadas pelo aplicativo, exceto a que utiliza os recursos para a casa própria. O trabalhador pode indicar uma conta de sua titularidade, em qualquer instituição, para receber o dinheiro sem ir a uma agência.
Nem todas as etapas internas são automáticas. Dependendo do tipo de pedido, processos e controles exigem supervisão humana. Em geral, as solicitações são processadas em até cinco dias úteis. Para saques relacionados a doenças graves, o prazo inicial é de 30 dias úteis, contado a partir do recebimento do pedido, devido à análise da situação e à emissão de parecer.
Impasse no plano de saúde
O plano de saúde é o principal ponto de conflito entre os bancários e as empresas públicas envolvidas nas paralisações. Com déficit, foram propostas mudanças nas regras e nas cobranças. No caso da Caixa, o Ministério Público do Trabalho recorreu ao TST para tentar um acordo.
A Caixa propôs elevar de 6,5% para 9% o teto de participação sobre a folha de pagamento no custeio do Saúde Caixa a partir de 2027, mantendo o pacto intergeracional e o convênio no acordo coletivo. Não haveria cobrança diferenciada por faixa etária.
Em 2026, não haveria reajuste nas mensalidades, e a Caixa assumiria o déficit do plano. A partir de 2027, o titular pagaria 3,7% da remuneração-base, enquanto a mensalidade do dependente direto seria de R$ 560. Para dependentes indiretos, os valores seriam de R$ 660 para filhos de 21 a 24 anos e de R$ 900 para filhos de 24 a 27 anos e pais ou mães remanescentes. O limite do grupo familiar seria de 9%.
A cobrança de consulta em pronto atendimento foi reduzida de R$ 150 para R$ 120, e a proposta manteve a isenção de coparticipação em atendimentos por telemedicina. O banco também ofereceu reajuste de 4,6%, já pago aos demais bancários do país, equivalente a 0,6% acima da inflação do período.
Pelas regras atuais informadas pelos bancários, o funcionário contribui com 3,5% da remuneração-base, paga R$ 75 por consulta em pronto atendimento e tem mensalidade de R$ 480 para cada dependente direto. O limite do grupo familiar é de 7% da remuneração-base. Na avaliação dos empregados, as mudanças teriam impacto relevante nas famílias, e a proposta foi rejeitada nas assembleias.
A Caixa declarou que “segue empenhada na construção de uma solução que preserve os interesses dos empregados, da instituição, dos clientes e da sociedade brasileira”. Trabalhadores do Banco do Brasil e dos Correios também iniciaram paralisações em 10 de setembro. O BB chegou a um acordo e encerrou o movimento; o caso dos Correios deve ser decidido pelo TST nesta quinta (24).







