O financiamento global de fintechs aumentou no primeiro semestre de 2026, mas alcançou um grupo menor de empresas. Foram investidos US$ 103,1 bilhões no período, ante US$ 72,2 bilhões no semestre anterior. Ao mesmo tempo, o número de transações caiu de cerca de 2.500, no H2 2025, para 2.100, no H1 2026.
Os dez maiores acordos concentraram 62% do capital investido, ou cerca de US$ 64 bilhões. O cenário combina maior volume financeiro com menos oportunidades para startups em busca de recursos.
No Brasil, fintechs receberam US$ 508 milhões entre janeiro e junho de 2026. O valor corresponde a 25% dos US$ 2,1 bilhões levantados durante todo o ano de 2025.
Tração passou a definir as rodadas
A Jota captou US$ 30 milhões em uma rodada Série A em junho de 2026. Liderado pela Haun Ventures, o investimento também teve participação de HOF Capital, Alter Global e Greyhound Capital. A avaliação pós-money da empresa chegou a US$ 185 milhões.
O produto da Jota oferece atendimento ao cliente por meio de conversa e usa inteligência artificial. A solução já estava em operação, atendia clientes e gerava receita mensurável. A empresa também apresentava métricas de unit economics, retenção de usuários e modelo de negócio definido.
A Robbin, que desenvolve infraestrutura de inteligência artificial para análise de crédito B2B, levantou US$ 108 milhões no mesmo período, em uma rodada co-liderada por Canary, Atlântico e Caravela. A empresa tinha produto aprovado, clientes com pagamentos e margem operacional gerenciada.
A CloudWalk, plataforma de infraestrutura de pagamentos, captou US$ 1,1 bilhão e foi a fintech da América Latina com maior captação no primeiro semestre de 2026. Os casos indicam que os recursos estão sendo direcionados a empresas com produtos em funcionamento e prontas para escalar.
Inteligência artificial ganha peso
A inteligência artificial passou a ser considerada um critério de investimento no setor financeiro. A Aurex, que combina IA e stablecoins para tesouraria transfronteiriça, gerenciou mais de US$ 100 milhões em volume em 2025 e alcançou o breakeven em menos de um ano.
A Pilotin, plataforma de inteligência de dados em Open Finance com agentes de IA para equipes de crédito, foi destacada no FinTouch 2026. O Iniciador também foi citado como exemplo por permitir a iniciação de Pix por meio de agentes de IA.
Uma pesquisa da PwC indica que 96% das fintechs brasileiras planejam implementar ou ampliar o uso de inteligência artificial nos próximos dois anos. Aplicações em pagamentos, risco, fraude e automação de crédito passaram a integrar a avaliação dos investidores.
Brasil tem mercado mais concentrado
Nos Estados Unidos, fintechs captaram US$ 80,8 bilhões em 933 acordos no primeiro semestre de 2026. A aquisição da Worldpay pela Global Payments, por US$ 24,3 bilhões, e a compra da Total System Services pela FIS, por US$ 13,5 bilhões, somaram US$ 37,7 bilhões.
O Brasil não registrou fusões e aquisições dessa magnitude. Ainda assim, as cinco maiores fintechs brasileiras lucraram mais de R$ 7 bilhões no primeiro trimestre de 2026.
O relatório Pulse of Fintech, da KPMG, prevê continuidade da consolidação no segundo semestre de 2026, com mais aplicações práticas de inteligência artificial, desenvolvimento de infraestrutura para stablecoins e ativos digitais e aumento do interesse por segurança cibernética e identidade digital.
Para empreendedores, o cenário exige produto funcionando, clientes pagantes, controle de margens, capacidade de cumprir regulamentações e um plano claro para o uso de IA. Empresas que ainda validam o modelo ou buscam a primeira receita enfrentam um mercado mais seletivo.








