Segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Economia

Custo, serviço e conflitos pesam na escolha do fee-based

A escolha entre taxa sobre o patrimônio e comissão depende da movimentação da carteira, do serviço contratado e dos incentivos do assessor.

Custo, serviço e conflitos pesam na escolha do fee-based

A escolha entre o modelo fee-based e o comissionado não depende apenas da taxa cobrada. O investidor precisa comparar a frequência de movimentação da carteira, os serviços incluídos e os possíveis conflitos de interesse do profissional.

No fee-based, o assessor ou consultor recebe uma taxa que geralmente varia de 0,4% a 1% do patrimônio por ano. No modelo comissionado ou transacional, a remuneração vem das comissões e dos rebates associados aos produtos vendidos e às operações realizadas.

O peso do serviço

O fee-based tem avançado e já representa 26% da custódia da XP. Na Monte Bravo, que tem R$ 45 bilhões em custódia, 44% dos recursos estão nesse formato. Para Pier Mattei, cofundador da corretora, o modelo tem maior sinergia com serviços como planejamento financeiro, tributário e de seguros, por favorecer o acompanhamento contínuo.

A XP adota outra visão. Guilherme Sant’Anna, sócio e diretor de distribuição da empresa, afirma que o nível de atendimento deve ser o mesmo nos dois formatos. A lógica é que um assessor bem avaliado consiga ampliar a relação com o cliente, atraindo mais patrimônio e vendendo outros produtos ao longo do tempo.

Esse modelo pode produzir uma curva em J para o profissional: a rentabilidade tende a cair no início, quando ele dedica mais tempo a serviços que nem sempre geram remuneração imediata, e pode aumentar depois com a retenção e a expansão da relação com o cliente. Para mudar os incentivos, a XP passou a deslocar premiações e rankings de métricas ligadas à venda de produtos para indicadores como entrada líquida de recursos, participação na carteira e cancelamento de clientes.

Perfil da carteira altera a conta

Para o investidor, a comparação deve ser feita com base na própria carteira. Uma pessoa conservadora, com recursos praticamente parados em Tesouro Direto, fundos e papéis pós-fixados de renda fixa, tende a pagar mais no fee-based, porque os rebates desses produtos são menos relevantes.

Já quem altera a carteira com frequência e opera em diferentes mercados pode arcar com custo maior no modelo transacional. Nesse caso, spreads, corretagem e outras cobranças incidem a cada movimentação. Antes de decidir, o investidor deve pedir ao assessor uma simulação dos dois formatos.

Os rebates do modelo fee-based podem ser devolvidos ao cliente por meio de cashback. Por isso, o custo efetivo pode ficar abaixo da faixa de 0,4% a 1% do patrimônio.

Transparência e conflito de interesses

Algumas empresas dividem o planejamento financeiro da assessoria de investimentos. Na W1, o planejamento é opcional, cobrado separadamente, e custa 3% da renda bruta mensal. A assessoria de investimentos pode ser contratada depois nos formatos fee-based ou transacional. A empresa tem R$ 3,6 bilhões em custódia.

O conflito de interesses permanece como um ponto de atenção. Plataformas e grandes assessorias criaram carteiras padronizadas e passaram a avaliar a aderência dos profissionais às recomendações compatíveis com o perfil do cliente. A venda de CDBs do Banco Master e de COEs de Ambipar, porém, é citada como sinal de que esse controle ainda não eliminou o problema.

A expansão dos ETFs também se relaciona à adoção do fee-based. Esses produtos pagam rebates baixos aos assessores, embora possam reduzir o custo da carteira. Filipe Medeiros, fundador da AAWZ Partners, afirma: “ETF é um produto bom, barato e eficiente, mas não remunera o profissional comissionado”.

O custo pode cair — se houver qualidade

Uma simulação de Filipe Medeiros considerou a substituição parcial de fundos multimercado e de ações por ETFs, fundos passivos e títulos públicos. Em uma migração média, mantendo fundos ativos, ações e papéis privados, o custo do investidor cairia entre 12% e 25%. O cálculo usa uma taxa de 0,6% no fee-based e uma carteira média de clientes da XP.

A redução, contudo, depende da qualidade do serviço. André Arantes, diretor da EQI Investimentos, que tem R$ 58 bilhões em custódia, alerta que a migração exige preparo e planejamento. Caso o profissional cobre a taxa sem entregar acompanhamento adequado da carteira, o fee-based se transforma apenas em custo adicional para o cliente.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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