São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Eleição amplia rotação entre ativos defensivos e ações ligadas a cenários econômicos

Pesquisas mais equilibradas entre Lula e Flávio Bolsonaro levam investidores a diversificar carteiras e avaliar estratégias para diferentes resultados eleitorais.

Eleição amplia rotação entre ativos defensivos e ações ligadas a cenários econômicos

O fluxo estrangeiro para a Bolsa brasileira mudou de direção à medida que a disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro ficou mais equilibrada nas pesquisas. O saldo entre compras e vendas de ações alcançou R$ 9,6 bilhões em setembro até o dia 22, depois de uma saída de R$ 18,1 bilhões em agosto. No ano, o resultado é positivo em R$ 32,6 bilhões, segundo dados da B3.

O movimento ocorre em um ambiente de maior interesse por ativos domésticos, impulsionado também pela alta do petróleo e pelo fluxo para empresas brasileiras de commodities. Parte do mercado avalia que uma eventual alternância de poder poderia levar a uma condução fiscal mais sólida e alterar a percepção de risco.

Carteiras são ajustadas conforme o perfil

João Ferreira, sócio da One Investimentos, afirma que a estratégia depende do grau de concentração de cada carteira. Para quem já distribui recursos entre diferentes classes de ativos, a mudança tende a ser pontual. Já investidores concentrados em uma única tese podem se beneficiar de uma diversificação maior.

Na renda fixa, analistas recomendam títulos públicos e CDBs (Certificados de Depósito Bancário) como alternativas para reduzir a exposição às oscilações do período eleitoral. A preferência, em um cenário de volatilidade, recai sobre ativos vinculados à Selic ou ao CDI, cujas remunerações acompanham mais diretamente os índices de referência e sofrem menos com as expectativas para os juros futuros.

Na renda variável, empresas de serviços públicos, especialmente dos setores de saneamento e energia, são apontadas como opções de proteção. Segundo Ferreira, essas companhias costumam ter receitas indexadas à inflação, o que favorece um fluxo de caixa mais previsível e menos dependente dos juros. Ele também cita empresas da construção voltadas à baixa renda e relacionadas ao Minha Casa, Minha Vida.

Para investidores mais arrojados, a eleição pode abrir espaço para ativos associados às políticas econômicas projetadas para cada candidato. Em relatório baseado em conversas com gestores, o BTG afirma que o mercado trabalha com uma disputa competitiva e com carteiras de risco relativamente controlado.

Ações associadas aos cenários eleitorais

O BTG considera Petrobras um ativo de consenso, sem depender do resultado das urnas. Os papéis da empresa se valorizaram em 2026, em meio à alta dos preços do petróleo. O banco também aponta que uma leitura positiva do resultado eleitoral poderia beneficiar ações de B3, XP, BTG Pactual, Rede D’Or, Cyrela, Petrobras e Motiva.

“Nossa percepção das conversas é que investidores locais estão cada vez mais se posicionando para uma eleição acirrada e dando mais crédito para a oposição”, afirma o BTG em relatório.

O Citibank projetou carteiras para os cenários de vitória de Lula e Flávio Bolsonaro. A instituição avalia que a diferença entre os dois candidatos está na forma de buscar o ajuste fiscal, e não na necessidade de fazê-lo. Os dois governos, segundo o banco, enfrentariam o desafio de restaurar a confiança na trajetória fiscal brasileira em meio a elevados níveis de dívida.

Em um eventual governo Lula, o Citi destaca Cury Construtora, Embraer, WEG e BTG Pactual. A seleção prioriza companhias capazes de sustentar o desempenho em diferentes condições de mercado. Para um governo Flávio, aparecem Cyrela, Assaí, Hapvida, Petrobras, Vale e B3. Nesse cenário, o banco vê espaço para ações cíclicas e empresas alavancadas, que podem ser favorecidas por juros menores e maior consumo ou investimento.

Pesquisas e reação dos mercados

A diferença entre os candidatos diminuiu nas pesquisas. No levantamento do Datafolha divulgado em 21 de agosto, Lula tinha 39% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% de Flávio Bolsonaro. Em 24 de setembro, o petista aparecia com 40%, enquanto o ex-senador tinha 36%. A diferença estava dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Em agosto, analistas do JPMorgan citavam o cenário político como fator de pressão sobre ações e moeda americana. A Bolsa encerrou o mês com queda de 0,32%, e o dólar subiu 2,21%. Em setembro, o movimento mudou: o Ibovespa avançou 6,4%, enquanto o dólar recuou 0,25%.

A política econômica dos candidatos ainda é incerta. Flávio Bolsonaro defende ajuste fiscal sem alterar a Previdência ou a política de valorização do salário mínimo. O governo Lula propõe desacelerar o crescimento dos gastos obrigatórios e aperfeiçoar o arcabouço fiscal. Economistas avaliam que um ajuste duradouro teria de alcançar aposentadorias e benefícios sociais.

A XP afirma que a volatilidade costuma aumentar em períodos eleitorais, mas que a dispersão historicamente cresce mais depois da votação. A definição da equipe econômica, as políticas adotadas e os primeiros sinais sobre os gastos públicos são apontados como fatores relevantes para os ativos.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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