SÃO PAULO — O dólar à vista encerrou os negócios desta sexta-feira a R$ 5,1442, com alta de 0,10%, depois de atingir R$ 5,1662 pela manhã. A moeda reduziu o avanço ao longo da tarde, acompanhando a desaceleração do dólar no exterior e a diminuição das perdas do iene. Na semana, a divisa acumulou valorização de 0,37%.
O desempenho ocorreu em um ambiente de fortalecimento global da moeda americana após o Federal Reserve elevar os juros e adotar um discurso mais duro contra a inflação. Em setembro, o dólar ainda recua 0,69% ante o real, após alta de 2,16% em agosto.
O índice DXY, que mede o dólar contra uma cesta de seis moedas fortes, operava aos 100,196 pontos por volta das 17h00, com baixa de 0,05%. O indicador havia alcançado 100,564 pela manhã, maior nível em sete semanas. Na semana, acumulava ganho de pouco mais de 1%.
A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira à noite também influenciou a dinâmica local. O levantamento mostrou empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, com o presidente numericamente à frente. Pela manhã, os números foram considerados neutros por agentes, mas parte do desconforto eleitoral perdeu força à tarde.
Alexandre Viotto, head de câmbio da EQI Investimentos, afirmou que o real tem mostrado resiliência mesmo diante do estresse geopolítico e da perspectiva de novos aumentos de juros pelo Fed. Adauto Lima, economista-chefe da Franklin Templeton Brasil, disse que o dólar oscila entre R$ 5,00 e R$ 5,20 e que o movimento permanece contido.
O Banco Central vendeu US$ 1 bilhão no mercado à vista, em leilão de linha com compromisso de recompra, para reforçar a liquidez diante da pressão por remessas ao exterior. A autoridade já havia realizado dois casadões no mês, somando US$ 2 bilhões.
Na Bolsa, o Ibovespa caiu 0,41%, aos 185.229,17 pontos, e acumulou perda de 1,06% na semana. O índice, porém, avançou 4,4% no mês e 15% no ano. A queda do petróleo pressionou a Petrobras: o Brent fechou a US$ 103,87, recuo de 0,91%, enquanto as ações preferenciais da estatal caíram 0,23% e as ordinárias, 1,09%.
Investidores também avaliaram o reajuste de 15% do Bolsa Família e seu custo fiscal a partir do ano que vem. O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União pediu a suspensão da medida, alegando possível descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal por falta de indicação da fonte de custeio e de estimativas de impacto financeiro.
Os juros futuros terminaram em queda. O contrato de DI para janeiro de 2027 ficou em 13,555%; o de janeiro de 2029 recuou para 13,840%; e o de janeiro de 2031 caiu de 14,061% para 14,020%. Na semana, a curva perdeu de 1 a 3 pontos-base nos principais vencimentos.







