O custo para importar diesel destinado ao mercado brasileiro atingiu um recorde na semana passada, segundo a ANP. A paridade calculada pela agência chegou perto de R$ 7 por litro em alguns portos, ante cerca de R$ 3 no início do ano. A diferença desestimula importadores privados e aumenta a pressão sobre o preço final do combustível.
O cenário pode se tornar mais difícil em novembro caso os Estados Unidos suspendam temporariamente as exportações. Fontes do setor avaliam que o aumento do consumo na Europa pode ampliar a disputa pelo produto e elevar os preços. A medida também ocorre às vésperas do período de maior consumo de diesel no Brasil, quando o combustível é usado no escoamento da produção agrícola e no plantio da próxima safra.
Dependência dos Estados Unidos
Em setembro, cerca de 80% das importações brasileiras de diesel vieram de refinarias americanas, de acordo com a Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis). O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome e registrou episódios pontuais de desabastecimento.
Os Estados Unidos passaram a ser o principal fornecedor brasileiro depois que a Rússia suspendeu suas exportações em meio a ataques ucranianos contra refinarias importantes. Com a interrupção do fornecimento russo, o mercado brasileiro recorreu às refinarias americanas.
Donald Trump tratou do tema nesta quarta-feira (23), durante um encontro com o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski. O presidente americano defendeu uma suspensão temporária das exportações, sob o argumento de que a medida poderia reduzir os preços internos. Segundo Trump, a decisão dependeria de estudos sobre os efeitos na produção de gasolina das refinarias dos Estados Unidos.
Sérgio Araujo, presidente da Abicom, afirmou que uma proibição dificultaria a continuidade das operações dos importadores. A entidade representa dez empresas, que têm distribuidoras regionais de combustíveis entre seus principais clientes.
Estoques e preços
A diretora de Comercialização, Logística e Mercado da Petrobras, Angelica Laureano, disse que a empresa encomendou 650 milhões de litros para outubro, volume suficiente para atender seus contratos. Ela afirmou que a ANP e o MME consideram que o mercado estará abastecido no próximo mês. “Não há nenhuma preocupação [com o suprimento de outubro]”, disse Angelica.
O presidente da Vibra Energia, Ernesto Pousada, declarou não acreditar que a suspensão seja implementada. Caso isso ocorra, afirmou que a companhia tem buscado diversificar suas fontes de suprimento.
Na abertura do mercado desta quarta, o diesel vendido nas refinarias da Petrobras custava, em média, R$ 3,44 a menos que a paridade de importação calculada pela Abicom. Mesmo com o subsídio de R$ 2,12 por litro pago pelo governo, permanecia uma diferença de R$ 1,32 por litro.







