A medida provisória assinada por Luiz Inácio Lula da Silva destina R$ 6,6 bilhões a subsídios para combustíveis, em uma mudança após declarações do Ministério da Fazenda sobre a interrupção gradual dos repasses. Do total, R$ 5,6 bilhões serão direcionados ao diesel e pouco menos de R$ 1 bilhão a outros produtos.
A decisão ocorre enquanto a Petrobras enfrenta uma diferença de preços que reduz a margem sobre o diesel importado. Na quarta-feira (9), a defasagem nas refinarias da estatal recuou para R$ 2,87 por litro. Mesmo com subsídio de R$ 1,12 por litro, empresas estatais e importadores perderiam R$ 1,75 em cada litro trazido do exterior.
O diesel vendido nas refinarias custava R$ 3,08 por litro menos que a paridade de importação calculada pela Abicom na abertura do mercado de terça-feira (8). O resultado ficou próximo do recorde de R$ 3,09 por litro registrado no início de março. Na média nacional, a diferença alcançava R$ 2,77 por litro.
A Petrobras não altera o preço do diesel nas refinarias desde junho, quando reduziu o valor para compensar parte da retirada de subsídios pelo governo Lula. Executivos do setor esperam que a empresa absorva as perdas para evitar impacto no cenário eleitoral. Em nota, a estatal afirmou que “monitora diariamente os fundamentos do mercado internacional” e que considera o não repasse da volatilidade externa aos preços internos.
O risco aumenta porque o Brasil é deficitário em diesel, cuja demanda cresce com o transporte da safra de grãos no segundo semestre. O combustível também é apontado como o produto mais exposto a uma possível escassez global se os conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia persistirem.
Até o fim de agosto, os subsídios para diesel, gasolina e GLP custaram R$ 7,8 bilhões ao contribuinte, conforme os dados mais recentes da ANP. O montante corresponde ao desembolso da agência e pode ser maior por causa de atrasos na liberação dos recursos.
A alta externa adiciona pressão. Na quarta-feira (9), o Brent voltou a atingir US$ 100 (R$ 510) por barril, após a retomada de ataques dos Estados Unidos e do Irã contra navios-petroleiros. O Goldman Sachs elevou em US$ 5 (R$ 26) por barril sua projeção para o fim de 2026 e estima risco de petróleo a US$ 120 (R$ 612) no próximo ano se a interrupção do Estreito de Hormuz continuar.








