São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Curva de juros será decisiva no ajuste fiscal de 2027, avalia Azevedo

Ex-diretor do Banco Central vê riscos distintos para a economia conforme o ajuste seja antecipado ou ocorra após piora do mercado.

Curva de juros será decisiva no ajuste fiscal de 2027, avalia Azevedo

A trajetória da curva de juros pode ser mais relevante do que o nível da Selic no fim de 2027, na avaliação de Rodrigo Azevedo, diretor de investimentos da Ibiuna Investimentos e ex-diretor de Política Monetária do Banco Central. Para ele, a forma de condução do ajuste fiscal previsto para 2027 será determinante para a desaceleração da economia, a inflação e as condições financeiras.

Azevedo afirmou que uma redução mais expressiva dos juros reais poderia tornar mais controlados o processo de desaceleração e a desalavancagem. Nesse cenário, a atividade poderia perder força de maneira mais moderada e posteriormente retomar o crescimento.

O risco, segundo o gestor, seria uma nova alta das taxas reais para níveis próximos de 8,5% ou superiores. O aperto financeiro poderia intensificar uma desaceleração já em andamento. Se ocorresse ao mesmo tempo que uma depreciação do câmbio e uma piora das expectativas de inflação, a pressão sobre os preços poderia aumentar.

Dois caminhos para o ajuste

O Brasil já atravessa um período prolongado de juros elevados e restritivos. A atividade econômica vem perdendo ritmo, mas em intensidade menor que a esperada diante do aperto monetário, enquanto as famílias continuam muito endividadas. Azevedo também afirmou que as expectativas de inflação estão bastante desaceleradas.

O gestor diferencia um ajuste antecipado de uma reação posterior à deterioração das condições de mercado. No primeiro caso, a desaceleração tenderia a ser mais ordenada. No segundo, a combinação de condições financeiras mais apertadas poderia tornar o processo mais difícil de administrar.

“Acho que haverá um ajuste no ano que vem, só não sei se esse ajuste vai ser proativo”, disse Azevedo durante painel no J.Safra Investment Conference, em São Paulo.

Referência de 2015

O ex-diretor do Banco Central citou 2015 como exemplo de desorganização no processo de ajuste. Naquele ano, afirmou, a economia contraiu 3,5%, a inflação chegou a 11% e os juros subiram. O episódio, segundo sua avaliação, mostra que uma queda da atividade e da inflação não garante redução dos juros quando as condições financeiras pioram.

A incerteza eleitoral é outro fator que dificulta estimar a trajetória da Selic em 2027. Para Azevedo, a principal questão será como o ajuste fiscal será executado, independentemente do cenário político.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.

Em alta

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5