São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Pesquisa do BC aponta pressão do El Niño sobre inflação de 2027

Levantamento indica impacto mediano de 0,5 ponto percentual no IPCA de 2027 e revisão de projeções por causa do clima.

Pesquisa do BC aponta pressão do El Niño sobre inflação de 2027

A pesquisa do Banco Central indica que o El Niño pode acrescentar 0,5 ponto percentual à inflação brasileira em 2027. A estimativa mediana foi calculada com respostas de 89 economistas consultados antes da reunião mais recente do Comitê de Política Monetária (Copom), cujo resultado foi divulgado nesta quarta-feira (23).

Entre os participantes, 83 disseram já considerar um efeito de 0,3 ponto percentual nos preços ao consumidor no próximo ano. O fenômeno climático, associado ao aquecimento das águas do Oceano Pacífico e à redistribuição das chuvas, deve ganhar força no segundo semestre deste ano. A Noaa (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) calcula probabilidade de 97% de o El Niño alcançar intensidade muito forte ainda em setembro.

Impacto previsto em 2026

O levantamento também apontou uma estimativa mediana de impacto de 0,3 ponto percentual sobre o IPCA em 2026, com base nas respostas de 87 analistas. Nesse grupo, a mediana indicou que 0,2 ponto percentual já havia sido incorporado às projeções de 80 participantes.

Para a inflação geral, 110 agentes econômicos projetaram IPCA de 5% neste ano e de 4,3% no próximo. Os dois resultados ficariam acima do centro da meta do Banco Central, de 3%, que tem margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. No regime de meta contínua, o objetivo é considerado descumprido quando a inflação acumulada permanece por seis meses seguidos fora da faixa entre 1,5% e 4,5%.

As respostas foram enviadas em 4 de setembro e subsidiaram a decisão do Copom, que reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano.

Revisão nas projeções oficiais

O Ministério da Fazenda elevou de 3,6% para 3,8% sua previsão de inflação para 2027. A revisão, divulgada pela Secretaria de Política Econômica (SPE) na terça-feira (22), considerou os efeitos de um El Niño mais intenso sobre a safra.

“O El Niño pode pressionar os preços dos alimentos in natura ainda este ano, embora seus efeitos mais significativos devam se concentrar na safra de 2027”, afirmou a SPE. A secretaria também associou a revisão aos efeitos sobre a produção de grãos e, posteriormente, sobre os preços das carnes.

O fenômeno aparece ainda no balanço de riscos do Banco Central, que citou a possibilidade de expectativas de inflação permanecerem afastadas da meta por um período prolongado devido a efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e os custos de energia.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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