São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Energia e alimentos levam IPCA-15 a acelerar para 0,7% em setembro

Índice acumulado em 12 meses chegou a 4,47% e se aproximou do teto de 4,5% da meta de inflação.

Energia e alimentos levam IPCA-15 a acelerar para 0,7% em setembro

O IPCA-15 acelerou para 0,7% em setembro, depois de registrar queda de -0,4% em agosto. O resultado ficou acima das projeções de mercado, cuja mediana era de 0,55% e o teto, de 0,66%, segundo dados divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (25).

A taxa foi a maior para um mês de setembro desde 2021, quando o índice avançou 1,14%. No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 passou de 4,24% até agosto para 4,47% até setembro, aproximando-se do teto de 4,5% da meta perseguida pelo Banco Central para o IPCA.

Conta de luz volta a pressionar

A habitação teve a maior variação entre os grupos pesquisados, com alta de 2,07%, e também exerceu o principal impacto sobre o índice, de 0,31 ponto percentual. A energia elétrica residencial subiu 7,42%, após recuar 6,25% na leitura anterior, contribuindo com 0,29 ponto percentual para o resultado geral.

A reversão está relacionada ao fim do bônus de Itaipu, desconto temporário que havia reduzido as contas de luz e contribuído para a deflação de agosto. Os nove grupos de produtos e serviços analisados pelo IBGE registraram alta em setembro.

Alimentação interrompe sequência de quedas

O grupo alimentação e bebidas avançou 0,4%, após recuos de -0,66% em julho e -0,57% em agosto. A alimentação no domicílio aumentou 0,38%, depois de quedas de -1,14% e -0,97% nos dois meses anteriores.

Tomate, com alta de 20,76%, arroz, de 2,39%, e carnes, de 1,30%, foram alguns dos itens que impulsionaram o resultado. Na direção oposta, caíram o feijão-carioca (-6,33%), a cebola (-4,41%) e o café moído (-1,36%).

A alimentação fora do domicílio subiu 0,44% em setembro, ante alta de 0,42% em agosto. Também contribuíram para a inflação do mês os aumentos do cigarro, de 14%, e da passagem aérea, de 9,82%.

“A aceleração dos alimentos em setembro merece atenção porque mostra a perda de uma ajuda importante que vinha segurando a inflação”, disse André Braz, economista do FGV Ibre.

Sinalização para o IPCA

O IPCA-15 funciona como uma indicação antecipada do comportamento do IPCA, mas os índices têm períodos de coleta diferentes. A apuração do indicador de setembro considerou preços entre 15 de agosto e 15 de setembro. Já o IPCA se concentra no mês de referência, e o resultado de setembro será publicado pelo IBGE em 9 de outubro.

Leonardo Costa, economista da Asa, afirmou que houve surpresas para cima na alimentação no domicílio, especialmente em carnes e itens in natura, além de leituras mais fortes em energia elétrica e gasolina. O combustível subiu 0,3%. Para ele, a projeção do IPCA de setembro pode ser revisada de 0,63% para algo próximo de 0,7%.

Claudia Moreno, economista do C6 Bank, também citou as passagens aéreas e a alimentação no domicílio entre as surpresas para cima. O banco projeta IPCA acumulado de 5% em 12 meses de 2026, acima do teto de 4,5% da meta. A mediana das projeções de mercado está em 4,92%, conforme o boletim Focus, do Banco Central.

A meta é considerada descumprida quando o IPCA acumulado permanece por seis meses seguidos fora do intervalo de tolerância, que vai de 1,5% a 4,5%. O centro da meta é de 3%.

Na semana passada, o Copom reduziu a taxa básica de juros para 13,75% ao ano. O boletim Focus aponta Selic de 13,5% ao final de 2026. O economista Júlio Barros, do Daycoval, avaliou que o resultado do IPCA-15 pode levar o Copom a manter a taxa inalterada na reunião prevista para novembro.

O El Niño aparece entre os fatores de preocupação para o segundo semestre de 2026. O fenômeno pode alterar a distribuição das chuvas, afetar o agronegócio e pressionar preços de alimentos e custos de energia.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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