São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Economia

Credores dizem que repasses à Bakide não afetam operações essenciais

Grupo contesta recurso da Braskem e afirma que aportes à subsidiária mexicana podem ameaçar créditos da recuperação extrajudicial no Brasil.

Credores dizem que repasses à Bakide não afetam operações essenciais

Os credores da recuperação extrajudicial da Braskem afirmam que os repasses destinados ao funcionamento essencial da Bakide, subsidiária mexicana também chamada de Braskem Idesa, não foram interrompidos. A manifestação foi apresentada à Justiça de São Paulo em resposta ao recurso da petroquímica, que busca retomar os aportes financeiros à empresa.

O grupo também rejeita a alegação de que houve violação ao contraditório e à ampla defesa. A Braskem sustenta que a juíza restringiu a operação da Bakide sem ouvir previamente a companhia. Para os credores, porém, a legislação permite dispensar essa etapa quando há urgência e risco de dano.

Na avaliação dos credores, a realização dos repasses pode colocar em risco os créditos incluídos na recuperação da Braskem no Brasil. Eles afirmam que a suspensão cautelar tem alcance temporário e impede apenas novos aportes e obrigações até que a empresa preste esclarecimentos.

A Braskem protocolou o recurso na segunda-feira (28). No documento, relacionou possíveis impactos da restrição sobre a recuperação da Braskem Idesa, como redução da geração de caixa, atraso no pagamento de salários e fornecedores e deterioração de equipamentos industriais.

Pontos ainda não analisados

A manifestação não abordou os pedidos de retomada da proteção da Braskem Netherlands e da Braskem America Finance contra credores da recuperação extrajudicial, nem a solicitação para revogar a nomeação de um administrador judicial. Os credores terão 15 dias, contados da intimação pela Justiça, para apresentar contrarrazões.

O grupo também contestou a afirmação da Braskem de que a divulgação de documentos da operação Bakide ameaça as atividades da companhia. Os credores dizem que os documentos serão encaminhados a órgãos e partes obrigados a preservar o sigilo.

Outra divergência envolve a reestruturação da Bakide nos Estados Unidos. Os credores negam ter autorizado o processo. Segundo eles, o consentimento dado foi apenas para não considerar investimentos da matriz na subsidiária como motivo para a resolução da recuperação extrajudicial.

Recuperação extrajudicial

A Braskem apresentou o pedido em 24 de agosto, reconhecendo uma dívida de US$ 10,9 bilhões, equivalente a aproximadamente R$ 56,2 bilhões, e informando apoio de 39,6% dos credores sujeitos ao plano.

De acordo com a companhia, a reestruturação abrange somente dívidas financeiras e não altera os pagamentos a fornecedores e funcionários. O pedido é assinado pela Braskem S.A. e por mais cinco empresas do grupo constituídas no exterior. O plano cobre o passivo financeiro quirografário sem garantia real, formado principalmente por empréstimos entre empresas do grupo e títulos de renda fixa ou cartas de crédito.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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