São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Economia

Plano de saúde concentra disputa entre Correios e trabalhadores antes de julgamento no TST

Tribunal analisará a legalidade da greve nacional e as reivindicações da categoria, que mantém o plano de saúde como principal demanda.

Plano de saúde concentra disputa entre Correios e trabalhadores antes de julgamento no TST

O plano de saúde é o principal ponto de impasse entre os Correios e os trabalhadores, às vésperas do julgamento do dissídio coletivo pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST). A sessão está marcada para 13h30 desta segunda-feira (21), enquanto a greve nacional iniciada no dia 10 continua em avaliação judicial.

A categoria afirma que sua única reivindicação é preservar o modelo atual do benefício, no qual os Correios atuam como mantenedores e assumem a responsabilidade principal pelo custeio e pela sustentabilidade financeira do plano. A proposta da estatal é mudar esse papel para o de patrocinadora, sem assumir os riscos da operação. Segundo Douglas Melo, diretor do Sintect-SP e da Findect, a alteração elevaria os descontos nos salários dos empregados.

“Não somos divergentes do que a empresa propôs nas outras cláusulas”, disse Melo. Ele também afirmou que as entidades sindicais não abandonaram as negociações e protocolaram um pedido para retomá-las. Para o dirigente, os Correios escolheram recorrer à Justiça desde o início da paralisação.

Decisões judiciais e impacto nas entregas

A estatal acionou a Justiça no dia seguinte ao início da greve para pedir que o movimento fosse declarado abusivo e que os serviços continuassem. O TST deverá examinar tanto a legalidade da paralisação quanto as reivindicações dos trabalhadores.

Por meio de uma liminar, a Justiça determinou que 80% do efetivo fosse mantido em cada unidade ou estabelecimento dos Correios durante a greve. Ainda assim, consumidores e pequenos vendedores relataram encomendas entregues após o prazo informado, falta de atualização no rastreamento e demora nos pedidos de reembolso do frete.

Os Correios afirmaram que as agências permanecem abertas e em funcionamento. A empresa informou ter deslocado servidores administrativos para apoiar as atividades operacionais e organizado mutirões de entrega, com o objetivo de preservar o fluxo logístico e reduzir os impactos aos clientes. Também declarou respeitar o direito de greve, embora considere que a paralisação ocorra em um momento sensível.

Disputa ocorre durante reestruturação financeira

O plano de saúde já havia sido central nas reivindicações da greve realizada no fim de 2025. Na ocasião, o TST manteve os direitos dos trabalhadores, mas os Correios recorreram ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em janeiro deste ano, uma liminar suspendeu quatro cláusulas do acordo, incluindo a relativa ao benefício. Nesta sexta-feira, o STF inicia o julgamento de mérito dessas cláusulas, com decisão prevista até o dia 25.

A paralisação ocorre enquanto a empresa enfrenta dificuldades financeiras. Os Correios registraram prejuízo de R$ 2,4 bilhões no segundo trimestre e pediram garantia do Tesouro Nacional para contratar um empréstimo de R$ 7 bilhões com bancos privados.

A companhia já contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões em dezembro de 2025 e tem previsão de receber outros R$ 6 bilhões da União em 2027. No final de agosto, abriu um novo Plano de Demissão Voluntária para funcionários de unidades incluídas no programa de reestruturação, que prevê o fechamento de lojas.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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