As ações do Fleury subiram 48% no ano, desempenho equivalente a quase três vezes a valorização do Ibovespa. Para o BTG Pactual, o movimento foi impulsionado principalmente pela expansão dos múltiplos — quando o mercado passa a aceitar pagar mais por uma empresa — e não por uma revisão relevante das projeções de lucro.
O banco também identifica uma relação entre a alta e o movimento global de reavaliação das empresas de diagnóstico. A análise foi conduzida pelo analista Samuel Alves, que inicialmente associou o desempenho do Fleury à busca por ativos defensivos em um ambiente de deterioração macroeconômica.
Essa interpretação considerava a baixa alavancagem da companhia, a demanda resiliente e a exposição a um segmento de beta relativamente baixo. A hipótese perdeu força quando o mercado retomou o apetite por risco em meados de agosto e, ainda assim, o Fleury continuou superando o mercado.
A avaliação do BTG considera que a saúde tem dinâmica regional, por ser um setor regulado e sujeito a processos de consolidação locais. Por isso, condições competitivas e fundamentos geográficos costumam pesar mais do que tendências globais. Ainda assim, os pares internacionais de diagnóstico mais próximos do Fleury registraram expansão relevante de múltiplos e desempenho sólido no ano.
O banco dividiu esses pares em três grupos: laboratórios tradicionais de grande escala; empresas de diagnóstico de precisão, oncologia e outros nichos de crescimento; e laboratórios asiáticos que atuam em mercados com baixa penetração. O Fleury foi considerado mais próximo do primeiro grupo, que inclui Quest Diagnostics, Labcorp Holdings e Eurofins.
Essas empresas negociam entre 16x e 21x o lucro estimado para os próximos doze meses. A mediana dos pares está 35% acima do Fleury, que negocia a 14x lucro. Historicamente, esse prêmio dos pares também era de 35%, patamar mantido porque tanto as empresas globais quanto o Fleury passaram por expansão de múltiplos.
O BTG avalia que a medicina preventiva e o diagnóstico podem sustentar uma narrativa de crescimento estruturalmente maior no setor. A companhia, porém, não estaria se transformando em um ativo de alto crescimento. Segundo o banco, a CEO Jeane Tsutsui entrega crescimento orgânico saudável, de um dígito alto, compatível com a expansão do mercado privado de saúde no Brasil. O Fleury também não deve crescer de forma consistente acima do mercado, já que não investe agressivamente na ampliação de capacidade.
O banco manteve recomendação neutra para a ação e reiterou a preferência pela Rede D’Or. Com múltiplos semelhantes, o BTG considera o valuation relativo da Rede D’Or atrativo, citando seu perfil de crescimento superior, maior pipeline de investimentos e potencial mais forte de ganho de participação de mercado.
O relatório não identifica um catalisador de curto prazo para a compressão dos múltiplos do Fleury. Alguns investidores ainda consideram a possibilidade de a companhia participar de uma operação de fusão e aquisição ou se tornar alvo de aquisição, embora essa probabilidade percebida tenha diminuído.
O Fleury vale R$ 12 bilhões na Bolsa. Além da alta de 48% no ano, a ação acumula valorização de 38% nos últimos doze meses.








