São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Brasil

“Virtuosas” transforma submissão e controle em terror psicológico

Filme acompanha mulheres submetidas a um modelo de comportamento e expõe a proximidade entre ficção, discursos religiosos e realidade.

“Virtuosas” transforma submissão e controle em terror psicológico

“Virtuosas” constrói seu horror a partir de uma ideia presente no mundo real: a submissão aos maridos apresentada como parte da formação da chamada “mulher virtuosa”. Sob o comando da coach Virgínia, interpretada por Bruna Linzmeyer, as participantes de um processo de transformação são conduzidas a abrir mão da autonomia em nome de valores religiosos e discursos de coach.

A força do filme está em evitar que esse universo pareça uma caricatura. Os comportamentos, os discursos e as situações absurdas mantêm proximidade com a realidade, o que torna a experiência mais desconfortável. Virgínia se destaca justamente pela contradição entre o que defende e aquilo que demonstra ser. Maria Galant interpreta Germina, uma mulher que chega ao grupo com uma segunda intenção e descobre que as aparências escondem outras camadas.

A narrativa acompanha a perda gradual da individualidade. As mulheres são moldadas para se encaixar em um padrão, enquanto suas personalidades passam a ser tratadas como problemas que precisam de correção. O medo, nesse caso, não depende de monstros ou fenômenos sobrenaturais, mas da possibilidade de que a obediência seja transformada em virtude e a independência, em ameaça.

A associação entre religião, influenciadores e submissão amplia a discussão. O filme mostra como um discurso que limita a autonomia feminina pode encontrar espaço para circular e chegar a questionar direitos básicos. Na parte final, o terror psicológico avança para a violência, acompanhando as consequências da manipulação e do extremismo sobre as escolhas das personagens.

Ficção próxima do cotidiano

A diretora Cíntia Domit Bittar afirma que a pesquisa para o filme incluiu palestras, cursos, videoaulas e manuais sobre a chamada “mulher virtuosa”. “Tem textos do roteiro que são quase transcrições do que se fala nesses encontros”, disse. O contato com esse material também revelou a dimensão do fenômeno para a diretora: “Quando encontrei o termo das mulheres virtuosas, vi que elas são milhares.”

Maria Galant avalia que a proximidade com a realidade é central para o impacto da produção. Para a atriz, a história não descreve apenas uma possibilidade distante, mas uma situação presente. Ela também considera que a atualidade do filme se evidencia pela presença da questão antivacina na trama.

Cíntia Domit Bittar aponta ainda o risco de parte do público interpretar o que aparece na tela apenas como sátira. A diretora e Maria Galant defendem que a ficção pode servir para observar a realidade e discutir quem recebe poder e qual sociedade se deseja construir.

Ao manter o horror ligado a comportamentos reconhecíveis, “Virtuosas” desloca o medo do extraordinário para aquilo que já existe ao redor. O controle, a perda de autonomia e a manipulação passam a ocupar o lugar central da ameaça.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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