Em cartaz desde 24 de setembro, o filme Precisamos Falar acompanha dois casais diante de uma decisão que combina conflito familiar e responsabilidade criminal: seus filhos adolescentes estão envolvidos na morte de uma mulher em situação de rua. Sandra, interpretada por Marjorie Estiano, e Celso, vivido por Emílio de Mello, precisam lidar com a possibilidade de proteger os jovens ou entregá-los à Justiça.
Dirigido por Pedro Waddington e Rebeca Diniz, o longa adapta para o Brasil atual o romance O Jantar, do escritor holandês Herman Koch. Alexandre Nero e Hermila Guedes também estão no elenco. A história se concentra nos conflitos morais dos personagens e evita apresentar respostas definitivas para o dilema.
Marjorie afirmou que a discussão sobre uma sociedade dividida foi um dos motivos que a levaram ao projeto. Para construir Sandra, ela pesquisou pessoas com valores diferentes dos seus e buscou compreender como o afeto familiar se relaciona com as convicções da personagem. “O diálogo se faz pela escuta”, disse a atriz.
Segundo Marjorie, a relação de Sandra com o filho é um dos fundamentos de suas decisões. O amor da personagem, porém, está concentrado na família e, no máximo, em pessoas que compartilham sua forma de pensar.
Emílio destacou o trabalho com um elenco pequeno, o roteiro e a abertura dos diretores para a colaboração dos atores. Para ele, o processo se aproximou da construção de uma peça de teatro, com leituras, ensaios e conversas sobre os personagens também fora do ambiente de trabalho.
O ator explicou que sua visão sobre Celso mudou durante os ensaios, a partir do contato com os demais intérpretes e com a direção. O personagem mantém relações distintas com os três filhos, a mulher, o irmão, a cunhada e o sobrinho. “Você começa a criar um personagem e, quando chega ao ensaio ou ao set, ele é modificado pelo ambiente”, afirmou.
A produção chega à segunda semana de exibição nos cinemas com uma proposta centrada no diálogo, na escuta e nos limites da proteção dos filhos.







