SÃO PAULO — As privatizações da Sabesp e da EMAE passaram a ser questionadas por causa de conexões entre o Banco Master, Daniel Vorcaro, fundos ligados a Nelson Tanure, a Ambipar e estruturas financeiras relacionadas às empresas de água e energia do Estado de São Paulo. O Ministério Público de São Paulo instaurou procedimento preliminar para apurar possíveis conflitos de interesses, favorecimento de particulares, lesão ao patrimônio público e outros aspectos das operações.
Em julho de 2025, Otto Lobo, então presidente interino da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), votou pela retirada da obrigação de uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) de ações da Ambipar. A decisão ocorreu poucos dias depois de mensagens em que Vorcaro afirmava que articularia apoio à permanência de Lobo na presidência da CVM. Os envolvidos negam irregularidades ou favorecimento.
A aquisição da EMAE envolveu o Phoenix Fundo de Investimento em Participações, ligado a Nelson Tanure e administrado pela Trustee DTVM. Naquele momento, a empresa integrava o mesmo grupo econômico do Banco Master. A operação utilizou ações da Ambipar como garantia e passou a ser analisada pela CVM.
Também foram apontadas conexões com a privatização da Sabesp. Carlos Piani, que presidiu o conselho da Ambipar, assumiu depois a presidência da Equatorial e, posteriormente, da Sabesp privatizada. Após a privatização, a EMAE foi incorporada à Sabesp sob controle privado.
Questionamentos sobre a lógica financeira
Para o Sintaema, a sequência levanta dúvidas sobre a transformação de uma empresa pública estratégica em ativo de interesse do mercado financeiro. A entidade afirma que o saneamento deve estar associado à universalização, à segurança hídrica e à qualidade do serviço, e não à valorização de ações, garantias, fundos e investidores.
As conexões e suspeitas não comprovam, por si só, irregularidades ou crimes. A privatização da Sabesp foi apresentada pelo governo Tarcísio de Freitas como um projeto de modernização e ampliação dos investimentos. O Sintaema defende transparência, controle público e investigação rigorosa, além de afirmar que água e saneamento são patrimônio público e serviço essencial.







