A Microsoft passou a classificar oficialmente o Rust como uma linguagem Tier 1 (Nível 1) para novos projetos internos, no mesmo grupo de C++, C# e TypeScript. Com a mudança, as equipes podem contar com ferramentas e infraestrutura mantidas pela empresa durante todo o ciclo de desenvolvimento.
A decisão não prevê o abandono de C++ nem a reescrita dos produtos da companhia. O foco imediato está na criação de novos componentes, especialmente em áreas nas quais a linguagem possa contribuir para reduzir vulnerabilidades ligadas ao gerenciamento de memória.
Informações apresentadas na RustConf 2026 indicam que o Rust já está presente em mais de 100 repositórios de projetos da Microsoft.
Segurança de memória orienta adoção
A estratégia se relaciona a uma estatística divulgada pelo Microsoft Security Response Center em 2019. Naquele ano, o órgão informou que aproximadamente 70% das vulnerabilidades às quais a Microsoft atribuía CVEs tinham problemas de segurança de memória como causa raiz. Mark Russinovich, CTO do Azure, voltou a mencionar proporção semelhante ao tratar de vulnerabilidades do Windows.
Essas falhas podem incluir acesso indevido a regiões da memória e uso de memória depois de sua liberação. O Rust busca evitar parte desses problemas durante a compilação por meio de um sistema de propriedade e empréstimo de memória, sem depender de um coletor de lixo.
A classificação Tier 1 também permite uma adoção gradual. A Microsoft mantém grande quantidade de código em C e C++, inclusive em componentes fundamentais do Windows, e representantes da empresa já descartaram uma substituição rápida. A companhia tem introduzido Rust em áreas específicas e trabalhado para integrá-lo à infraestrutura existente, incluindo ferramentas usadas no desenvolvimento em C++ no Windows.
A linguagem, porém, não elimina todos os riscos. O Rust oferece recursos unsafe, que permitem contornar determinadas garantias, e não impede vulnerabilidades originadas por erros de lógica ou falhas no projeto de um sistema. A mudança de status coloca oficialmente o Rust entre as linguagens mais bem suportadas para o desenvolvimento interno da Microsoft.







