São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Brasil

Depoimentos e mensagens detalham disputa sobre notícias usadas no treino de IA

Registros judiciais reúnem alertas internos sobre direitos autorais, impacto no jornalismo e acesso a conteúdos protegidos por assinatura.

Depoimentos e mensagens detalham disputa sobre notícias usadas no treino de IA

Mensagens internas e depoimentos apresentados no processo movido pelo The New York Times contra OpenAI e Microsoft expõem divergências sobre o uso de notícias no treinamento de sistemas de inteligência artificial. Os registros tratam de direitos autorais, acesso a reportagens protegidas por assinatura e possíveis efeitos dos produtos de IA sobre a produção jornalística.

Em fevereiro de 2023, um engenheiro de software da OpenAI escreveu aos colegas que a exibição de links não garantiria que os usuários clicassem neles. O material também registra uma comunicação sobre uma maneira de contornar o bloqueio de acesso a uma reportagem do The New York Times. Greg Brockman, presidente da OpenAI, recebeu a informação e respondeu positivamente.

Alertas dentro das empresas

Brent Hecht, diretor de Ciência Aplicada da Microsoft, descreveu a coleta de conteúdo para treinar sistemas de IA como o “maior roubo de trabalho da história da humanidade”. Ele também alertou para um ciclo em que as ferramentas prejudicariam a produção de conteúdo usada por elas próprias.

Nick Turley, responsável pela equipe que desenvolvia o ChatGPT, escreveu em junho de 2023 que a inteligência artificial representava uma “ameaça existencial” para empresas jornalísticas. Em fevereiro de 2024, afirmou que os produtos poderiam substituir cada vez mais o conteúdo original à medida que se tornassem mais capazes.

A ação foi aberta pelo The New York Times no fim de 2023 e recebeu a adesão de outros 11 veículos de imprensa. As empresas jornalísticas sustentam que OpenAI e Microsoft copiaram milhões de artigos protegidos por direitos autorais sem autorização ou pagamento para desenvolver seus modelos.

Disputa sobre licenciamento

OpenAI e Microsoft afirmam que o uso dos artigos é protegido pelo “uso justo” (fair use), previsto na legislação para determinadas utilizações de obras protegidas. As companhias também dizem que os sistemas transformam esse material em um novo tipo de produto e que ferramentas como o Copilot não substituem o jornalismo produzido pelos veículos.

Em depoimento, Satya Nadella, presidente-executivo da Microsoft, declarou que conteúdos protegidos por assinatura deveriam ser licenciados. Ele afirmou ainda que, se soubesse que a OpenAI havia coletado esse material para treinar os modelos, teria exigido um novo treinamento dos sistemas usando o direito da Microsoft.

A Microsoft se distanciou das declarações de Hecht e disse que elas refletiam a perspectiva individual de um funcionário, não uma análise jurídica ou a posição da companhia. O caso tramita no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York. O juiz Sidney H. Stein avalia pedidos para resolver a disputa sem um julgamento completo, enquanto novos documentos são divulgados.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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