SANTA CRUZ DO SUL — O Brasil não deve enfrentar falta de diesel ou gasolina, afirmou Neco Argenta, sócio-fundador e presidente do Grupo Argenta, durante a reunião-almoço Tá na Hora, promovida pela Associação Comercial e Industrial (ACI) de Santa Cruz do Sul nessa terça-feira, 15.
O empresário disse que o país produz 120% da gasolina que consome e precisa importar 25% do diesel S10. “Não faltará diesel, não faltará gasolina”, declarou ao público, em referência às preocupações do setor produtivo rural e aos impactos das disputas geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Israel, Irã, Rússia e Ucrânia.
Refinarias e política de preços
Segundo Argenta, o principal problema do Brasil está na falta de refinarias capazes de acompanhar o aumento da captação de petróleo. Para ampliar essa capacidade, seriam necessários grandes investimentos. Os últimos aportes relevantes no setor, afirmou, ocorreram nos anos de 1970.
O empresário também disse que, pela política de preços adotada pela Petrobras, o país paga R$ 3,00 por litro acima do valor praticado nas vendas no mercado interno. Essa diferença ajuda a explicar a oscilação do preço do diesel. A gasolina, por ser produzida internamente em volume suficiente, não teve aumento, de acordo com Argenta.
Ele avaliou que a política contribui para manter os preços e reduzir efeitos sobre a inflação, mas ponderou que ainda é necessário definir quem arcará com os custos, já que 25% do óleo é importado e o preço do petróleo é volátil. Argenta classificou o tema como uma decisão política, e não estrutural da Petrobras.
A abertura do encontro foi feita por Tironi Paz Ortiz, vice-presidente da ACI. Ele afirmou que a entidade busca conectar pessoas e criar um ambiente favorável ao empreendedorismo.
Argenta contou que começou a empreender aos 11 anos, produzindo caixas de madeira para o transporte de uvas em Flores da Cunha e subcontratando amigos para formar uma equipe. Atualmente, o grupo tem cerca de 5 mil funcionários na função de frentista.
O empresário também relatou ter trabalhado em lojas de móveis e eletrodomésticos da Serra antes de iniciar negócios com o irmão após a morte do pai. A entrada da família no setor de postos ocorreu depois que eles identificaram que esses estabelecimentos não funcionavam aos fins de semana, o que prejudicava o transporte de produtos entre São Paulo e o Rio Grande do Sul.
Quatro décadas depois, o Grupo Argenta atua com centenas de postos e 14 empresas concentradas nos setores de energia e vinho.







