O mercado de startups passou a questionar um modelo baseado em aquisição acelerada, expansão artificial e prejuízo operacional. Durante o período de dinheiro barato, o aumento do custo de aquisição de clientes e a ampliação da base de usuários foram tratados como sinais de ambição, enquanto novas rodadas sustentavam negócios ainda sem comprovação de valor.
A mudança recolocou no centro da análise elementos como eficiência, margem, retenção e previsibilidade. O crescimento isolado perdeu espaço para a avaliação da capacidade real de uma empresa gerar percepção de valor por meio de marca, produto, reputação, comunidade e operação.
O caso mais simbólico dessa ruptura envolveu a WeWork e o SoftBank. Bilhões financiaram uma expansão global apoiada na expectativa de crescimento infinito. A tese perdeu sustentação quando investidores passaram a questionar se a operação se mantinha de pé. A resposta apareceu com a deterioração do modelo.
Eficiência e cultura
Mesmo após essa mudança de comportamento entre os investidores de venture capital, parte das startups continuou direcionando recursos para mídia paga e pressionando equipes por escala contínua. Em algumas empresas, a cultura permaneceu restrita à apresentação institucional, enquanto a operação combinava aquisição cara, baixa retenção e equipes esgotadas.
A pressão também expôs o custo humano desse modelo. “As empresas descobriram que não só custava dinheiro, também custava a saúde mental da galera.” Durante anos, ambientes exaustivos foram associados à alta performance, e a expectativa de uma nova rodada adiou o reconhecimento dos problemas operacionais.
A construção de uma marca forte aparece como alternativa ao crescimento baseado apenas em tráfego. Produto, comunicação, liderança, experiência e cultura precisam apontar para a mesma direção. Quando cada área apresenta uma empresa diferente, a credibilidade diminui; quando há coerência, a marca deixa de ser apenas uma campanha e se transforma em percepção consolidada.
Disney, Rolex, Apple, Nike e Airbnb são citadas como empresas que mantiveram relevância ao criar consistência entre produto, experiência, narrativa, design, atendimento e posicionamento, sem depender apenas da compra de tráfego.
A inteligência artificial pode ampliar a eficiência operacional, enquanto a cultura sustenta a execução. A marca contribui para a diferenciação, a comunidade para a recorrência e o produto para a permanência. O growth continua relevante quando há algo de valor crescendo junto.
Brian Chesky, fundador do Airbnb, resume essa lógica: “It’s better to have 100 people love you than 1 million people who sort of like you.”








