O Japão retratado nos games atravessa séculos: vai do período Sengoku, marcado pela guerra civil, ao país contemporâneo de tradição e tecnologia. Cinco jogos ajudam a observar essa trajetória por meio de cenários históricos, tensões sociais e cidades recriadas a partir de referências reais.
Guerra civil e fantasia sombria
Onimusha: Warlords (Capcom, 2001) começa em 1560, durante a Batalha de Okehazama. Oda Nobunaga venceu o exército de Imagawa Yoshimoto, apesar de ter entre 2 e 3 mil homens contra cerca de 25 mil soldados adversários. O confronto ocorreu durante uma tempestade, e Yoshimoto morreu em combate.
O episódio serve como ponto de partida para a história de Samanosuke Akechi, que testemunha a vitória de Nobunaga. Um ano depois, ele parte para salvar a princesa Yuki e descobre que Nobunaga foi ressuscitado por demônios Genma. A instabilidade política e a ascensão de Nobunaga pertencem ao contexto histórico; a manopla amaldiçoada e o vilão demoníaco são elementos de fantasia.
A franquia também se aproxima do início do período Edo em Onimusha: Way of the Sword, lançado em 04 de setembro de 2026. O jogo coloca Miyamoto Musashi no centro da narrativa. O samurai viveu entre aproximadamente 1584 e 1645, venceu 62 duelos sem perder e escreveu o “Livro dos Cinco Anéis”.
Tradição e pressão social
Silent Hill f (Konami, 2025) desloca a série para o Japão e se passa na fictícia Ebisugaoka, cidade do interior inspirada em Kanayama, distrito de Gero, na província de Gifu. A protagonista Hinako enfrenta um horror ligado ao peso da tradição, à vergonha e às expectativas familiares.
O cenário remete ao Japão dos anos 1960, quando a modernização das grandes cidades coexistia com costumes rurais ligados a deuses locais, santuários, fantasmas, youkai e ancestrais. A sociedade também impunha forte pressão sobre mulheres jovens, especialmente em relação à honra da família e aos papéis sociais.
Cidades e mudanças econômicas
Yakuza acompanha o Japão urbano a partir dos anos 1980. O primeiro jogo, lançado pela Sega em 2005, se passa majoritariamente nesse ano, com um prólogo em 1995, em Kamurocho — bairro fictício inspirado em Kabukicho, em Tóquio.
Kazuma Kiryu retorna da prisão após assumir a culpa por um crime que não cometeu e se envolve na busca por 10 bilhões de ienes desaparecidos do cofre de seu clã. A ambientação reproduz lojas de conveniência, fliperamas e clubes de anfitriãs de um bairro japonês de vida noturna.
Yakuza 0 (2015) é ambientado em 1988, no auge da bolha de preços de ativos que marcou o Japão entre 1986 e o início dos anos 1990. A trama gira em torno da disputa por um terreno em Tóquio. O título vendeu mais de 2 milhões de cópias e é apontado como uma porta de entrada para a franquia.
Japão contemporâneo
Persona 5 Royal (Atlus) retrata Tóquio e a rotina escolar japonesa. Embora o ano oficial seja apresentado como “20XX”, o calendário interno coincide com 2016, ano de lançamento do jogo original. O protagonista estuda na Shujin Academy e lidera os Phantom Thieves, grupo que usa poderes sobrenaturais para expor a corrupção de adultos. Shibuya e Akihabara aparecem recriadas no jogo.
Forza Horizon 6 (Playground Games/Xbox Game Studios), lançado em 2026, apresenta o Japão atual e marca a primeira vez que a franquia Forza Horizon se passa no país. O mundo aberto reúne santuários tradicionais, oficinas mecânicas e fliperamas iluminados por neon, mostrando a convivência entre tradição e modernidade.
Juntos, os cinco jogos percorrem a guerra civil, o pós-guerra, a bolha econômica e o cotidiano do Japão contemporâneo. A representação varia entre reconstrução histórica, ficção sobrenatural e reprodução de espaços urbanos, mas todos usam o país como parte central da experiência.







