Um Cessna Caravan adaptado com a tecnologia de autonomia da Joby Aviation percorreu mais de 3.100 milhas (cerca de 5 mil km) pelos Estados Unidos sem que o piloto precisasse assumir os controles. A aeronave foi acompanhada remotamente por equipes na Califórnia e na Carolina do Sul.
O voo incluiu todas as etapas da operação, do taxiamento ao pouso. Um piloto permaneceu a bordo para atender às exigências de conformidade, mas não interveio durante o trajeto. A supervisão foi feita pela equipe da Joby na Califórnia e pela Shaw Air Force Base, na Carolina do Sul.
A empresa apresentou a demonstração como o primeiro voo autônomo de costa a costa pelos Estados Unidos. O avião deverá retornar à Costa Oeste nas próximas duas semanas, com paradas previstas em Louisville, no Kentucky, e Salt Lake City.
Aplicações além dos táxis aéreos
A Joby afirma que o sistema pode ser instalado em diferentes aeronaves convencionais. Entre as aplicações citadas estão transporte médico, resposta a desastres, logística de defesa e transporte comercial de cargas.
A companhia pretende lançar inicialmente uma aeronave regional equipada com a tecnologia, com uso possível em missões de defesa e no transporte de cargas. A travessia também teve o objetivo de demonstrar a operação autônoma em ambientes e missões diferentes.
A Joby é conhecida pelo desenvolvimento de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, os eVTOLs, destinadas ao transporte de passageiros em trajetos urbanos curtos. A empresa também mantém uma relação de longa data com o Departamento de Defesa dos EUA.
O desenvolvimento do sistema autônomo é financiado por um contrato de US$ 17 milhões (cerca de R$ 87 milhões) da Força Aérea dos EUA, por meio da AFWERX. A tecnologia deverá ser usada em uma aeronave regional que também poderá transportar cargas comercialmente.
Expansão dos projetos de defesa
Em agosto, a Joby comprou a Resonant Sciences por US$ 500 milhões (cerca de R$ 2,56 bilhões), em dinheiro e ações. Sediada em Ohio, a empresa desenvolve sistemas de radiofrequência e sensores e passou a fazer parte de uma divisão de defesa da Joby.
Essa área reúne projetos de aeronaves híbridas elétricas com turbinas, modelos elétricos movidos a hidrogênio e sistemas de autonomia. No ano passado, a Joby fechou um acordo com a L3Harris Technologies para avaliar o desenvolvimento de uma nova classe de aeronaves voltadas a aplicações de defesa.
A proposta prevê um modelo híbrido de decolagem e pouso vertical, movido por turbina a gás e capaz de operar de forma autônoma. A travessia pelos Estados Unidos amplia a escala demonstrada pela tecnologia enquanto a empresa mantém o desenvolvimento de seus táxis aéreos elétricos.







