São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Tecnologia

Indústria adota tecnologia, mas ainda precisa convertê-la em inovação

Dados do IBGE mostram avanço no uso de tecnologias digitais, enquanto a taxa de inovação da indústria caiu ao menor nível da série.

Indústria adota tecnologia, mas ainda precisa convertê-la em inovação

A indústria brasileira ampliou o uso de tecnologias digitais, mas a adoção ainda não se converteu necessariamente em inovação. Dados da PINTEC Semestral, do IBGE, referentes a 2024, mostram que 90,3% das médias e grandes empresas industriais que usam tecnologias digitais avançadas relataram aumento de eficiência. Mais da metade combina três ou mais dessas tecnologias.

No mesmo levantamento, porém, a taxa de inovação caiu pelo terceiro ano consecutivo, para 64,4%, o menor nível da série iniciada em 2021. O desafio passou a ser transformar a incorporação de ferramentas em resultado operacional.

Tecnologia precisa acompanhar a operação

Em setores de alta complexidade, sistemas legados, bases de dados e regras de negócio formam processos construídos ao longo de décadas. Esse conhecimento acumulado pode diferenciar uma empresa, mas não costuma estar contemplado integralmente em softwares de prateleira, desenhados para um cliente mediano.

Quando a ferramenta não acompanha o fluxo real do trabalho, a lacuna tende a ser compensada por planilhas paralelas, redigitação e conferências manuais. Esse tipo de procedimento pode indicar onde o sistema deixou de atender às necessidades da operação.

A alternativa também não é customizar tudo. O caso da rede varejista Lidl é citado como exemplo: a empresa consumiu sete anos e 500 milhões de euros tentando adaptar um ERP ao próprio modelo de estoque, até abandonar o projeto. A sequência adequada é diagnosticar o problema e só depois escolher a tecnologia.

Atividades consideradas comuns, como folha de pagamento, contabilidade e e-mail, podem ser atendidas por soluções de prateleira. O diferencial está na camada que conecta esses sistemas ao modo específico de funcionamento de cada negócio, por meio de integrações, automações e adaptações. A customização, nesse modelo, não significa necessariamente construir do zero, mas fazer sistemas distintos funcionarem de forma integrada.

Dados são a base para a inteligência artificial

A inteligência artificial tornou a questão mais urgente. De acordo com a PINTEC, seu uso na indústria mais que dobrou em dois anos, chegando a 41,9% das empresas. Em pesquisa da PwC divulgada em janeiro de 2026, 56% dos CEOs brasileiros ouvidos disseram não ter obtido benefício algum com IA.

A Gartner projeta que 60% dos projetos de IA sem dados preparados serão abandonados até o fim de 2026. A fragmentação dos dados entre sistemas que não se comunicam pode impedir que essas iniciativas avancem além da fase piloto.

O foco, portanto, não está em acumular ferramentas, mas em estruturar uma arquitetura tecnológica coerente com a operação. Para empresas complexas, integrar sistemas e dados é o caminho para que os ganhos prometidos pela tecnologia cheguem ao trabalho cotidiano.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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