São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Tecnologia

Guterres pede cooperação global para conter riscos da inteligência artificial

Na abertura da Assembleia Geral da ONU, o secretário-geral defendeu regras, supervisão independente e limites para o uso da IA.

Guterres pede cooperação global para conter riscos da inteligência artificial
Foto: Reprodução/ONU

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou nesta terça-feira (22) que o avanço da inteligência artificial ocorre em velocidade superior à capacidade humana de compreender plenamente seus efeitos. O alerta foi feito na abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em um discurso dedicado aos riscos e às possibilidades da tecnologia.

Guterres afirmou que a IA já está transferindo poder para máquinas, inclusive por meio de agentes que podem sair do controle e de armas autônomas letais. Na avaliação dele, essas armas deixaram de ser uma hipótese distante e passaram a integrar a realidade militar. O secretário-geral comparou o desafio ao gerenciamento dos riscos das armas nucleares durante a Guerra Fria.

“Nossas instituições e sistemas de governança global continuam refletindo as realidades de poder e os interesses de uma era amplamente ultrapassada”, disse Guterres. Para ele, os mecanismos atuais não acompanharam a velocidade da transformação tecnológica, enquanto uma eventual disputa entre países pelo domínio da IA poderia ampliar os riscos.

Regras e supervisão

O secretário-geral defendeu que os governos estabeleçam mecanismos de cooperação para compartilhar informações sobre ameaças emergentes, realizar testes e avaliações conjuntos e criar salvaguardas comuns. A responsabilidade, segundo ele, deve ser maior entre os países com maior capacidade de desenvolver sistemas de IA.

Guterres também pediu um ritmo responsável de desenvolvimento, um marco multilateral para o gerenciamento de riscos e supervisão independente. A ONU, afirmou, é o espaço em que todos os países podem participar da definição do futuro da tecnologia.

Entre as iniciativas citadas estão o Pacto Digital Global, o Diálogo Global sobre Governança da IA e o Painel Científico Internacional Independente sobre IA. Esses fóruns reúnem governos, cientistas, empresas e representantes da sociedade civil.

Apesar dos riscos, Guterres afirmou que a inteligência artificial pode contribuir para avanços na medicina, acelerar descobertas científicas, ampliar oportunidades e melhorar a qualidade de vida. O problema, segundo ele, não está na tecnologia em si, mas em seu uso sem responsabilização, supervisão e transparência.

O secretário-geral também defendeu proteção específica para crianças e afirmou que decisões de vida ou morte não devem ser transferidas a máquinas. Na avaliação dele, a IA está presente em sistemas de água, redes elétricas, registros de saúde, economias e forças militares, podendo ajudar a enfrentar desafios globais ou agravá-los.

Assembleia Geral

Khalilur Rahman, presidente da 81ª sessão da Assembleia Geral da ONU, afirmou que a IA pode acelerar o progresso humano, mas também provocar perda de empregos e aumento da desigualdade digital. Ele disse ainda que não é possível descartar impactos da inteligência artificial geral, ou AGI, sobre a sobrevivência humana.

Rahman defendeu medidas de proteção baseadas em evidências científicas, sem bloquear a inovação. Também pediu a participação de governos, empresas, cientistas, sociedade civil e academia na discussão sobre as regras para a tecnologia.

“Estamos ficando cada vez mais para trás a cada dia”, afirmou Rahman ao defender a abertura imediata das Nações Unidas para desenvolvedores e usuários de IA.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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