Após cerca de quatro séculos ausente da paisagem escocesa, o castor-europeu voltou a Knapdale e começou a alterar o ambiente em poucos meses. A espécie havia desaparecido localmente por causa da caça intensa, principalmente pela pele, com registros de presença na Escócia até aproximadamente o século XVI.
Em maio de 2009, três grupos familiares foram soltos na floresta de Knapdale, na região de Argyll. A iniciativa fazia parte de uma reintrodução experimental de cinco anos, autorizada pelo governo e acompanhada por pesquisadores. O monitoramento avaliou a adaptação dos animais e possíveis efeitos sobre a hidrologia, a vegetação, as florestas, os peixes e outros componentes do ecossistema.
Mudanças observadas
Os efeitos apareceram rapidamente. Os castores represaram a saída de Loch Linne e, em menos de três meses, o nível da água subiu até cerca de 25 centímetros. A alteração afetou temporariamente a vegetação das margens. Em novembro de 2009, um dos grupos já havia construído uma grande cabana.
Entre 2009 e 2013, pesquisadores registraram mudanças na estrutura de partes da floresta. O corte de troncos abriu áreas no dossel, permitindo maior entrada de luz no solo. As barragens também inundaram terrenos antes mais secos e modificaram a vegetação terrestre e aquática em alguns pontos.
O castor é considerado um engenheiro do ecossistema porque constrói barragens, canais e abrigos para manter a água profunda o suficiente para seu deslocamento, acesso a alimento e proteção das entradas das tocas. Essas intervenções podem reter água e sedimentos, criar áreas úmidas e ampliar a variedade de habitats. Os efeitos, porém, variam conforme as características do curso d’água, o relevo, a oferta de alimento e o local escolhido para a construção.
Retorno permanente
O governo escocês decidiu, em 2016, permitir a permanência das populações. Em 2019, o castor-europeu recebeu proteção legal específica na Escócia.
A expansão prosseguiu: entre 2023 e 2025, mais de 150 castores foram soltos em áreas escocesas, enquanto outros se dispersaram naturalmente. O retorno transformou a espécie de uma experiência de reintrodução em presença novamente capaz de modificar a água, a vegetação e os ambientes úmidos do país.







