São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Tecnologia

Data centers de IA ampliam pressão sobre energia e clima, diz professor da USP

Paulo Artaxo defende regras para que novos centros de dados usem eletricidade gerada por fontes solar e eólica.

Data centers de IA ampliam pressão sobre energia e clima, diz professor da USP
Foto: Frame Stock Footage/Shutterstock

A expansão da inteligência artificial pode dificultar, no curto prazo, a redução das emissões de gases de efeito estufa. O alerta é de Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da USP e coordenador do Amazônia Sustentável, centro de estudos da universidade.

A principal preocupação está no consumo de energia dos data centers necessários para o funcionamento da tecnologia. De acordo com a ONU, esses centros deverão consumir quase três vezes mais eletricidade do que Nigéria, Paquistão e Bangladesh juntos. Os três países reúnem 650 milhões de pessoas.

A IA também pode ser usada em sistemas de alerta de desastres mais sofisticados e na busca por alternativas para reduzir a escassez de água. Ainda assim, a demanda energética associada à infraestrutura da tecnologia pode ampliar o uso de fontes não renováveis.

Dependência de fontes de energia

A eletricidade consumida pelos data centers pode ser gerada por fontes solar, hidrelétrica e eólica. Quando isso não ocorre, entram em cena usinas termelétricas, que produzem energia a partir da queima de carvão, gás natural, óleo ou biomassa.

Nas termelétricas, o calor aquece água em uma caldeira e produz vapor. O vapor movimenta uma turbina conectada a um gerador. O impacto ambiental varia conforme o combustível utilizado, mas a queima de combustíveis fósseis, principalmente óleo e carvão, libera gás carbônico. O processo também emite óxidos de enxofre e nitrogênio e fuligem, associados à piora da qualidade do ar, a doenças respiratórias e à chuva ácida.

Artaxo afirmou que “data centers gigantescos consomem uma quantidade brutal de recursos naturais – eletricidade e água, em particular”. Para o professor, a instalação dessas estruturas deveria depender do uso de energia solar e eólica.

Há propostas nessa direção nos planos de governo dos candidatos à Presidência da República de 2026, além de contrapartidas no Redata. Enquanto isso, empresas de tecnologia apoiam projetos de fontes renováveis e de combustíveis fósseis.

Simon Stiell, chefe do departamento de clima da ONU, classificou a indústria de IA como “devoradora de energia”. Ele defendeu que o setor respeite a ciência e se alinhe aos esforços climáticos globais.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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