Os países do Brics apresentaram uma proposta de criação de um fundo para startups durante a 18ª cúpula do bloco, realizada neste domingo (13), em Nova Délhi, na Índia. O mecanismo deverá priorizar soluções tecnológicas escaláveis e iniciativas voltadas ao empreendedorismo entre os integrantes e seus parceiros.
A proposta foi incluída no eixo de Inovação, uma das quatro prioridades estratégicas do Brics, ao lado de resiliência, cooperação e sustentabilidade. A ideia é criar uma fonte própria de capital para empresas de mercados em desenvolvimento, que ainda dependem de centros tradicionais de investimento global para financiar sua expansão.
Também foi anunciada a Rede de Incubadoras do Brics. A estrutura deverá conectar incubadoras, aceleradoras e startups dos países do bloco para promover intercâmbio de conhecimento, atrair investimentos e desenvolver projetos em conjunto. O arranjo combina financiamento e infraestrutura para fortalecer o ecossistema de inovação.
Inclusão tecnológica
Na abertura da cúpula, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, defendeu que a tecnologia seja usada para ampliar o acesso às inovações, e não para aprofundar desigualdades sociais. “É por isso que destacamos a inclusão na adoção da tecnologia”, afirmou.
Modi também declarou que a militarização da tecnologia e dos minerais críticos pode limitar o progresso compartilhado. A preocupação envolve a disputa por cadeias de suprimento estratégicas, como as de semicondutores e terras raras, e a concentração tecnológica em poucos atores globais.
Oportunidade para empresas brasileiras
O mecanismo pode ampliar as alternativas de financiamento para startups brasileiras, especialmente nas fases avançadas de crescimento, quando os fundadores precisam buscar capital internacional para escalar. O Brasil lidera como o maior centro de startups da América Latina e tem atuação em fintechs, agtechs e healthtechs.
A presidência indiana informou que o fundo deverá estimular projetos em inteligência artificial, infraestrutura digital, saúde, energia limpa e soluções para desafios urbanos e climáticos. São áreas nas quais startups brasileiras já possuem casos de sucesso competitivos e que se relacionam à transição energética e à digitalização do país.








