BRASÍLIA — O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou durante o julgamento desta terça-feira, 15, que arquivou um pedido da Polícia Federal para investigar um integrante da Corte. A decisão ocorreu depois de a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar pelo encerramento do procedimento.
Embora não tenha identificado o colega, o caso envolvia o ministro Kassio Nunes Marques. O nome dele apareceu em diálogos atribuídos ao lobista Andreson de Oliveira Gonçalves, preso na Operação Sisamnes. Nas conversas, o lobista tentava demonstrar que tinha influência sobre Nunes Marques.
A declaração de Zanin foi dada durante o voto sobre o pedido de investigação do ministro Alexandre de Moraes. Ao explicar sua decisão, o magistrado disse que recebeu um ofício da PF na gestão do ministro Luís Roberto Barroso, abriu vista à PGR e acolheu a manifestação pelo arquivamento.
“Eu, por exemplo, senhor presidente, mostrando a coerência da minha manifestação, já recebi um ofício da Polícia Federal pedindo investigação em relação a um membro deste Supremo Tribunal Federal”
Segundo a PGR, não havia cadeia de custódia da conversa atribuída ao lobista nem elementos suficientes para abrir a investigação. Zanin, então, arquivou o caso.
Nunes Marques foi citado em conversas encontradas pela PF no celular de Andreson de Oliveira Gonçalves sobre processos de interesse de sua mulher, a advogada Miriam Ribeiro Gonçalves. Na época, o ministro afirmou que não conhecia o lobista e que seu nome havia sido usado indevidamente.
O ministro também foi relator de processos apresentados por desembargadores de Mato Grosso aposentados compulsoriamente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Eles pediam ao STF a reintegração à Justiça, e Nunes Marques votou a favor.
O lobista compartilhou a tela de um suposto print de conversa com o ministro. Investigadores suspeitaram, porém, que o diálogo havia sido forjado.







