MOSCOU — A eleição legislativa russa terminou sob uma ofensiva ucraniana de grande escala e denúncias de ataques contra a infraestrutura de votação. Com 71% das cédulas apuradas, o Rússia Unida, partido do presidente Vladimir Putin, reunia 57,5% dos votos, seguido pelos comunistas, com 14%, e pelo LDPR, com 8,7%.
A votação renovou as 450 cadeiras da Duma, a Câmara baixa da Rússia. Projeções da agência estatal TASS indicavam que o partido no poder manteria uma maioria de dois terços dos deputados. O Rússia Unida venceu todas as eleições parlamentares desde 2003.
O pleito, realizado no domingo (20), foi o primeiro legislativo desde o início da guerra com a Ucrânia, em 2022. Nenhum partido contrário ao conflito foi autorizado a participar. O Yabloko, única legenda abertamente contrária à guerra, foi excluído semanas antes pelo Tribunal Supremo. Os demais concorrentes apoiavam as políticas de Putin e a operação na Ucrânia.
Ataques durante a votação
Mais de 1.600 drones avançaram contra o território russo na madrugada do terceiro e último dia de votação. Moscou foi alvo de cerca de 450 drones, segundo o prefeito Sergei Sobianin. Um equipamento atingiu um prédio de apartamentos nos arredores da capital, enquanto um incêndio em uma refinaria provocou uma coluna de fumaça negra.
Pelo menos duas pessoas morreram, informou o governador regional de Moscou, Andrei Vorobiov. Outras 400 foram evacuadas de um prédio residencial atingido pelo fogo. Na região de Kherson, controlada pela Rússia, um drone atingiu um ônibus e matou duas pessoas, entre elas uma funcionária da Comissão Eleitoral.
O Ministério da Defesa russo acusou a Ucrânia de tentar “perturbar a vontade democrática dos cidadãos russos” e prometeu “intensificar” os bombardeios contra Kiev. O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou que os ataques tiveram “um impacto muito importante na região de Moscou”.
A Comissão Eleitoral também denunciou cerca de mil ciberataques contra o sistema de votação. Sua presidente, Ella Pamfilova, disse que os responsáveis pareciam ser “grupos altamente profissionais e bem coordenados que utilizam ferramentas de inteligência artificial”.
A participação superava 50% no meio do dia, conforme a Comissão Eleitoral. Antes da votação, Putin havia chamado os russos a comparecer às urnas e definido o voto como uma demonstração de apoio às tropas do país e uma “resposta conjunta àqueles que querem enfraquecer a Rússia”.








