SALVADOR — A Associação Bahiana de Imprensa pediu investigação pelo Ministério Público da Bahia após declarações do presidente do Missão na Bahia, David Pirajá, durante um ato de campanha em Salvador. A entidade afirmou que o discurso defendeu o extermínio de moradores de áreas periféricas e classificou a manifestação como incompatível com o debate público.
O episódio ocorreu neste domingo (28), em um comício realizado diante da reitoria da Universidade Federal da Bahia (UFBA), com a participação de Renan Santos, candidato à Presidência pelo Missão. Pirajá mencionou as comunidades Bairro da Paz e Planeta dos Macacos ao defender ações violentas contra integrantes do Comando Vermelho.
Após a repercussão, Pirajá disse que sua fala se referia à morte de traficantes. Renan Santos, por sua vez, publicou um vídeo em defesa do aliado e afirmou que apoiava uma ofensiva direta contra facções criminosas no estado. O candidato também declarou que uma eventual reação armada à polícia teria resposta letal.
A Associação Bahiana de Imprensa sustentou que o caso deve ser analisado pelo Ministério Público da Bahia. A entidade afirmou que a defesa de chacinas e a incitação à violência podem configurar crimes previstos na legislação penal. Também disse que esse tipo de manifestação contraria a Constituição Federal e compromissos internacionais assumidos pelo Brasil.
O ex-governador e candidato ao Senado Rui Costa (PT) condenou o discurso e o classificou como “um absurdo completo”.
O ato também teve conflito entre participantes. Antes da chegada de Renan Santos, militantes do Missão e bolsonaristas trocaram socos em frente à reitoria da UFBA.
A Bahia registrou 940 mortes decorrentes de intervenções policiais entre janeiro e agosto de 2026, o maior número absoluto entre os estados brasileiros, conforme os dados apresentados no caso.








