São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Ratinho Jr. se afasta para tentar levar Sandro Alex ao segundo turno no Paraná

Governador tem aprovação próxima a 80%, mas candidato apoiado por seu grupo aparece em terceiro ou empatado em segundo nas pesquisas.

Ratinho Jr. se afasta para tentar levar Sandro Alex ao segundo turno no Paraná
Foto: Jonathan Campos/AEN

O governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), decidiu se licenciar do cargo para atuar na campanha de Sandro Alex (PSD), seu candidato à sucessão. A movimentação ocorre enquanto as pesquisas indicam dificuldade para converter a aprovação do governador em votos para o aliado.

Ratinho Júnior tem aprovação próxima a 80%, conforme levantamento da Quaest de agosto de 2026. Sandro Alex, porém, aparece em terceiro lugar na maioria das pesquisas. No levantamento divulgado nesta quinta-feira, 24, ele empatou tecnicamente com Requião Filho em segundo lugar.

Na pesquisa, Sérgio Moro (PL) lidera a disputa pelo governo do Paraná, com 36%. Sandro Alex e Requião Filho têm 20% cada. Em simulações de segundo turno, Moro marca 43% contra 29% de Sandro Alex e 48% contra 32% de Requião Filho.

Ao anunciar o afastamento, Ratinho Júnior disse que pretende ampliar sua presença no estado durante a campanha: “Vou me dedicar, aproveitando para poder rodar o Estado sem ter as limitações que o cargo exige”.

A escolha de Sandro Alex

Os cientistas políticos Emerson Cervi e Bruno Bolognesi, professores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), relacionam o desempenho do candidato governista às escolhas feitas na formação da chapa e à dinâmica das elites políticas locais.

Bolognesi avalia que a escolha de Sandro Alex pode ter sido uma forma de evitar conflitos entre nomes que também disputavam o apoio do governador, como Rafael Greca e Alexandre Curi. Na interpretação do professor, Ratinho Júnior teria optado por um nome considerado fiel, mas com menor força eleitoral.

Cervi afirma que Sandro Alex nunca disputou uma eleição majoritária, o que dificulta sua conexão com um eleitorado mais amplo. O candidato também adotou um discurso de continuidade, concentrado em obras de infraestrutura e estradas. Para o pesquisador, essa abordagem se aproxima mais de uma campanha municipal do que de uma disputa pelo governo estadual.

Moro, por sua vez, lidera sem ter apresentado um plano de governo formal e mantém alta visibilidade pública associada à Lava Jato. Essa exposição contribuiu para sua eleição ao Senado em 2022, quando obteve 33,5% dos votos válidos.

Troca de votos e segundo turno

Apesar da liderança, Moro tem enfrentado críticas por gafes envolvendo dados geográficos e históricos do Paraná. Entre os episódios citados estão o desconhecimento sobre a tarifa de ônibus da Região Metropolitana de Curitiba, a menção a uma Santa Casa de Cascavel que não existe no município e o uso do termo “parnanguaras” como se designasse uma etnia indígena em Paranaguá.

Bolognesi avalia que a imagem de despreparo pode afetar eleitores que ainda não definiram o voto, embora não deva alterar a posição dos que já escolheram Moro. Uma eventual vitória do ex-juiz também interromperia, segundo o professor, a tradição de gestão associada ao grupo político formado em torno do ex-governador Jaime Lerner, do qual fazem parte nomes como Rafael Greca e Ratinho Júnior.

Nesse cenário, pode haver voto estratégico de eleitores progressistas em Sandro Alex para impedir que Moro resolva a eleição no primeiro turno. O PSD também depende do desempenho de Requião Filho para dividir a votação e ampliar as chances de seu candidato chegar à etapa seguinte.

Disputa pelo Senado

A eleição para as duas vagas do Senado permanece aberta. Alexandre Curi (Republicanos) tem 14%; Deltan Dallagnol, cuja campanha foi suspensa pelo TSE, soma 11%; Filipe Barros (PL) também registra 11%; e Gleisi Hoffmann aparece com 10%.

Dr. Rosinha (PT) e Cristina Graelm têm 5% cada. Karen Guerreiro (Missão) e Marcelo Marcelino (PCO) marcam 1% cada, enquanto Jaoaquim do MBL não pontuou.

Cervi afirma que Curi pode atrair votos de diferentes campos políticos como segunda opção, apoiado pelo slogan “Mais Paraná, menos Brasília”. O professor também destaca a presença do candidato nos municípios do interior e suas relações com prefeitos.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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