São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Propagandas de quatro presidenciáveis recorrem a imagens de crise e redenção

Análise de críticos identifica contrastes visuais e estruturas narrativas semelhantes nos programas de Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury.

Propagandas de quatro presidenciáveis recorrem a imagens de crise e redenção

As propagandas eleitorais de Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury recorrem a estratégias visuais distintas para construir imagens de crise, autoridade e esperança. A análise foi feita pelo crítico cultural e roteirista Thiago Guimarães e pela advogada e crítica de cinema Natália Bocanera, que assistiram ao primeiro episódio dos programas de televisão dos candidatos à Presidência.

Caiado inicia sua peça com imagens de um pôr do sol em uma fazenda. Em contraluz e com enquadramento de baixo para cima, o candidato aparece associado a uma figura imponente e de conduta ilibada, na avaliação de Bocanera. Guimarães relaciona o recurso visual ao heroísmo e afirma que a combinação de cores, luz e paisagem confere à cena um caráter fantasioso.

Cury segue caminho oposto. Sentado em uma poltrona, ele aparece diante de imagens de caos e destruição projetadas por chroma-key. O pano usado como tela deixa à mostra o piso laminado e apresenta marcas de amassado. Para Bocanera, a construção lembra um pesadelo de David Lynch, enquanto Guimarães compara a peça a “Tropa de Elite”, de José Padilha, pela representação de um país em desordem que precisa ser colocado em ordem.

Crise, denúncia e esperança

Os programas de Lula e Flávio Bolsonaro adotam estruturas mais próximas. As duas peças começam com imagens frias e acinzentadas, seguidas por uma denúncia. Lula exibe vídeos e áudios para sustentar acusações contra Flávio no caso Master. O candidato do PL mostra lojas fechadas, geladeiras vazias e pessoas com dificuldades financeiras, atribuindo a situação ao governo Lula.

Para Guimarães, o uso de uma linguagem documental e jornalística busca transmitir credibilidade em um cenário de crise de credibilidade. Depois da introdução, as propagandas mudam abruptamente para imagens coloridas, melodrama e trilhas sonoras esperançosas.

A segunda parte das duas peças assume a forma de uma cinebiografia inspirada na jornada do herói. Lula é apresentado como “só mais um Silva”, nascido no sertão e vindo para São Paulo para defender o direito de sonhar. Flávio é retratado como um jovem político preocupado com a economia e defensor de mais dinheiro nas mãos da população.

Dramatização e referências do cinema

A propaganda de Flávio usa cenas de uma mulher em uma casa de pau a pique, de um homem cercado por contas e de uma mãe que precisa devolver um biscoito escolhido pela filha no mercado. Bocanera associa esse conjunto ao realismo social de Ken Loach. Guimarães considera a abordagem literal e próxima da linguagem das novelas.

O programa também inclui um segmento produzido com inteligência artificial, que retrata pessoas em uma favela. Guimarães classifica a imagem como plástica, polida e artificial.

Na peça de Lula, a trilha da segunda metade combina tímpanos, trompas e violinos em uma atmosfera associada a filmes de guerra, como “O Resgate do Soldado Ryan”. Bocanera observa que uma sonoridade militarizada poderia ser mais esperada em uma propaganda de Flávio.

Os programas analisados têm seu último dia nesta quinta-feira (1º). Os demais candidatos não têm espaço no horário eleitoral.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.

Em alta

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5