São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Por que as pesquisas eleitorais chegam a resultados diferentes

Amostragem, método de coleta e ponderação estatística explicam parte das diferenças entre os levantamentos de intenção de voto.

Por que as pesquisas eleitorais chegam a resultados diferentes
Foto: Júlia Pereira/Estadão

As pesquisas eleitorais podem apresentar resultados diferentes porque usam amostras, métodos de coleta e critérios de ponderação distintos. Na segunda-feira, 21, a BTG/Nexus indicou Flávio Bolsonaro (PL) com 37% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto a Quaest apontou 33% para o candidato no mesmo cenário.

A divergência começa antes da entrevista com o eleitor. Os institutos precisam definir o questionário e planejar a amostragem, escolhendo um grupo capaz de representar o conjunto do eleitorado. O estatístico Neale El-Dash, doutor em amostragem pela Universidade de São Paulo (USP) e fundador do PollingData, afirma que o principal desafio está em selecionar corretamente esse grupo: “como você seleciona essas pessoas de forma que a opinião delas represente a opinião do todo”.

Amostragem e coleta

A Quaest estrutura a amostragem em três estágios. O processo envolve o sorteio de municípios por Probabilidade Proporcional ao Tamanho (PPT), a seleção de setores censitários do IBGE e a aplicação de cotas sociodemográficas nos domicílios escolhidos. O Instituto Indexa utiliza uma estrutura em conglomerados comparável.

A AtlasIntel, por outro lado, adota o recrutamento digital aleatório, chamado Atlas RDR, captando respondentes durante a navegação rotineira na internet em computadores e celulares.

As entrevistas podem ser feitas por telefone, presencialmente, em domicílios ou pontos de fluxo, e pela internet. Cada formato produz uma relação diferente com o entrevistado. Segundo El-Dash, a entrevista presencial facilita a interação, enquanto a telefônica precisa ser mais curta. A coleta digital amplia o acesso, mas pode atrair respondentes que participam para ganhar dinheiro ou respondem com pressa.

Na pesquisa presencial, há ainda o chamado problema do porteiro: barreiras físicas, sociais ou de segurança que impedem o acesso a determinados entrevistados. Condomínios fechados, prédios com acesso restrito, favelas e comunidades dominadas pelo crime organizado são exemplos citados. A consequência é a criação de lacunas na amostra, que podem excluir parcelas específicas do eleitorado.

Tamanho da amostra e ponderação

Uma amostra maior reduz a margem de erro estatística, mas não elimina falhas de representatividade, vieses de seleção ou problemas na execução do campo. Em levantamentos nacionais com distribuição proporcional entre os estados, cerca de 2.000 entrevistas costumam ser suficientes para alcançar margem de erro inferior a três pontos percentuais, de acordo com El-Dash.

Quando o desenho é desproporcional, com 1.000 a 1.500 entrevistas em cada estado posteriormente reunidas em um resultado nacional, a margem de erro bruta tende a aumentar. Nesse caso, os ajustes matemáticos precisam recompor a proporção real da população.

As cotas usadas durante a coleta não servem apenas para aproximar a amostra da sociedade em gênero, idade ou escolaridade. Elas também buscam dar oportunidade de participação a grupos com menor probabilidade de resposta, como jovens e pessoas em idade ativa que passam o dia fora de casa.

Se a amostra final não coincidir com o perfil oficial do eleitorado, definido por dados do IBGE (PNADc) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), os institutos aplicam a pós-estratificação, ou ponderação estatística. O cálculo atribui pesos diferentes às respostas para recalibrar o resultado. Se houver menos mulheres na coleta do que na composição real do eleitorado feminino, por exemplo, cada resposta desse grupo poderá receber peso maior.

Como interpretar os levantamentos

A divergência também pode surgir porque cada empresa escolhe variáveis diferentes para calibrar a amostra. A AtlasIntel considera gênero, idade, escolaridade, renda, região e o comportamento eleitoral anterior, incluindo o voto declarado em 2022. Como não há uma norma única para definir essas variáveis, pequenas diferenças na ponderação podem alterar os percentuais atribuídos aos candidatos.

Para reduzir o efeito das discrepâncias pontuais, a orientação é observar a tendência geral e não um único levantamento. Agregadores de pesquisas usam modelos estatísticos para tentar separar os vieses metodológicos característicos de cada instituto e filtrar o ruído entre os resultados. El-Dash também considera positiva a existência de mais pesquisas, por ampliar a concorrência e a transparência metodológica.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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