São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Planos de saúde de Lula e Flávio convergem em produção nacional e uso de dados

Alexandre Padilha e Cláudio Lottenberg defenderam mudanças semelhantes no SUS, mas divergiram nas críticas a governos e adversários.

Planos de saúde de Lula e Flávio convergem em produção nacional e uso de dados

Alexandre Padilha, ministro da Saúde e representante de Luiz Inácio Lula da Silva, e o médico Cláudio Lottenberg, indicado por Flávio Bolsonaro para comandar a pasta caso seja eleito, apresentaram propostas semelhantes para o Sistema Único de Saúde (SUS). Entre os pontos comuns estão o fortalecimento da produção nacional de medicamentos e insumos, a ampliação do uso de tecnologia, a integração de dados da rede pública e a remuneração dos serviços conforme o resultado clínico do paciente, e não apenas pelo número de procedimentos realizados.

As propostas foram apresentadas nesta terça-feira (8), em evento organizado pelo canal Amado Mundo com representantes de campanhas à Presidência. Cada assessor teve 20 minutos para expor suas ideias para o setor até 2030. Não houve debate entre os participantes nem perguntas da plateia.

Padilha afirmou que, em um novo mandato de Lula, o governo consolidaria políticas em andamento, como o programa Agora Tem Especialistas. Segundo ele, a iniciativa está “enterrando” o pagamento fragmentado por procedimento ao transferir aos prestadores um valor pelo conjunto de serviços que inclui diagnóstico, consulta e outras etapas do atendimento.

O ministro também defendeu a expansão das carretas de atendimento em regiões remotas e o reforço de uma rede nacional de cuidado do câncer. Entre as medidas citadas estão a ampliação de protocolos para mulheres na menopausa e idosos em cuidado domiciliar, além da incorporação “definitivamente” das canetas emagrecedoras ao SUS.

Propostas para dados e produção nacional

Lottenberg defendeu o uso de inteligência artificial para organizar filas do SUS, incluindo a de transplantes, e a utilização de bases de dados para localizar pacientes com vacinas e exames atrasados. Também propôs o aproveitamento de informações de mapeamento genético da população brasileira para reduzir o desperdício associado a medicamentos desenvolvidos com base em dados estrangeiros.

O médico afirmou que parte de suas propostas tem relação com políticas já adotadas pelo Ministério da Saúde. Sobre a integração de dados, disse que ela é “sequência daquilo que já está em curso”. Lottenberg também classificou o SUS como uma “estrutura vitoriosa” que precisa ser aperfeiçoada, sem uma reforma.

Na avaliação dele, ampliar a produção local de medicamentos e insumos ajudaria a garantir a “segurança nacional” em períodos de crise. Como exemplo de fragilidade do parque fabril, citou a falta de respiradores em cidades como Manaus (AM) durante a pandemia da Covid-19.

As diferenças entre os dois apareceram principalmente nas referências aos grupos adversários. Lottenberg não criticou a gestão petista e reconheceu que suas propostas dialogam com políticas atuais, como a mudança no modelo de pagamento da rede pública. Padilha, por sua vez, criticou a postura antivacina e os cortes promovidos pelo governo de Jair Bolsonaro em recursos de programas como o Farmácia Popular. Ele não mencionou Lottenberg.

No mesmo evento, Luiz Henrique Mandetta, representante de Ronaldo Caiado, defendeu dividir o SUS por regiões de saúde, com planejamento e distribuição de recursos para áreas de 1 milhão a 1,5 milhão de habitantes. Também propôs uma discussão mais aprofundada sobre o vício em apostas.

Felipe Roth, da candidatura de Renan Santos, apresentou o projeto “SUS fila zero”, com organização da rede segundo a gravidade da doença e o impacto funcional. O plano prevê ainda reajustar o piso da saúde pela inflação, em vez de usar o investimento mínimo de 15% da Receita Corrente Líquida, e manter a vacinação acima das metas.

Adriana Ventura, responsável pelas políticas de saúde de Romeu Zema, defendeu contratar espaços ociosos de hospitais privados, melhorar a gestão dos recursos transferidos pela União e remunerar os serviços do SUS pelo desfecho clínico. A candidatura de Augusto Cury não enviou representante ao evento.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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