São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

PGR aponta atuação de Eduardo Bolsonaro em remessas para filme sobre Jair Bolsonaro

Parecer de Paulo Gonet autorizou inquérito no STF sobre recursos enviados aos EUA para financiar a produção cinematográfica.

Em mensagem, Eduardo Bolsonaro cita que dinheiro para 'Dark Horse' vindo do Brasil seria 'problemático': 'Ideal seria haver recursos já nos EUA'
Foto: Jornal Nacional/Reprodução

A Procuradoria-Geral da República (PGR) identificou indícios de que Eduardo Bolsonaro orientou a gestão e o envio de dinheiro aos Estados Unidos para financiar “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. A apuração foi conduzida com base em investigações da Polícia Federal (PF).

O parecer, assinado em julho de 2026 pelo procurador-geral Paulo Gonet, autorizou a abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar o financiamento transnacional do filme. Entre os elementos reunidos está uma captura de tela de conversa atribuída ao ex-deputado, embora o documento não informe quem recebeu diretamente a mensagem.

“O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para os EUA é tranquilo.”

Na conversa, Eduardo também teria orientado que o dinheiro fosse transferido gradualmente caso a empresa brasileira não tivesse o orçamento necessário para uma remessa única. A estimativa mencionada era de cerca de 6 meses para concluir os envios. O diálogo cita ainda Altieris Santana, apontado como diretor do Havengate Development Fund, fundo sediado no Texas responsável por administrar os valores e repassá-los à Go Up Entertainment.

Contrato e suspeitas sobre os recursos

A investigação encontrou uma minuta encaminhada em dezembro de 2024 pelo publicitário Thiago Miranda ao banqueiro Daniel Vorcaro. O documento previa investimento de US$ 24 milhões, dividido em 14 parcelas, para a produção então chamada “Capitão do Povo”, nome anterior de “Dark Horse”.

Em depoimentos, um empresário relatou pagamentos ao fundo ligado ao filme, o uso de uma empresa nas Bahamas para transferências determinadas por Vorcaro e a compra de malas destinadas à entrega de dinheiro em espécie.

A PF afirmou ao STF que o valor projetado era incompatível com referências do mercado audiovisual nacional e que essa diferença justificava apurar a origem dos recursos, sua destinação efetiva e a viabilidade econômica do projeto. A corporação também quer esclarecer o motivo da intermediação pela Entre Investimentos, a função da Havengate Development Fund LP e os beneficiários finais das remessas.

Participação de Flávio Bolsonaro

O parecer da PGR aponta que Flávio Bolsonaro manteve contato direto com Vorcaro para tratar de repasses, reuniões e do acompanhamento das gravações. Em setembro de 2025, Miranda informou ao banqueiro que o senador queria encontrá-lo para apresentar trechos do filme. No dia seguinte, houve uma ligação entre Flávio e Vorcaro na mesma ocasião de uma remessa da Entre Investimentos ao fundo nos Estados Unidos.

A investigação também pretende delimitar o papel de Flávio e Eduardo Bolsonaro na estruturação, cobrança, execução e destinação dos aportes.

Em entrevista à GloboNews em maio, Flávio negou que os recursos tenham sido destinados a Eduardo e disse que o dinheiro foi aplicado na produção do filme: “Não foi para o Eduardo Bolsonaro. Todos os recursos que foram aportados neste fundo, que é específico para a produção do filme, foram usados integralmente para fazer o filme”. A defesa de Flávio ainda não havia respondido, e a tentativa de contato com Eduardo permanecia sem retorno na última atualização.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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