São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

PF aponta memoriais a ministros do STF em articulação ligada a Cezinha

Documentos foram enviados a Cezinha de Madureira por ex-assessora de Arthur Lira, segundo investigação da Polícia Federal.

PF aponta memoriais a ministros do STF em articulação ligada a Cezinha

A Polícia Federal identificou memoriais destinados aos ministros Gilmar Mendes, André Mendonça e Kassio Nunes Marques em uma articulação que envolvia o deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP), a ex-assessora de Arthur Lira Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, e Valéria Rodrigues Linhares, mulher do parlamentar. A investigação apura uma tentativa de influenciar julgamentos em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF).

Os documentos foram encaminhados por Mariângela a Cezinha em 18 de junho de 2025, às 10h57. A mensagem que acompanhou os arquivos dizia: “do que está Fachin”, em referência ao atual presidente da Corte. Os memoriais, assinados pelo escritório Fialek Advocacia, tratavam de uma reclamação em que Mariângela não aparecia originalmente como advogada. Ela recebeu substabelecimento com reservas do advogado Damião Soares Tenório em 12 de junho de 2025.

O celular de Mariângela foi apreendido pela PF em dezembro de 2025, durante a primeira fase da Operação Transparência. A defesa dela não foi localizada. Gilmar Mendes e André Mendonça foram procurados sobre os documentos.

Diálogos citados na investigação

Também em 18 de junho de 2025, Mariângela enviou a Cezinha uma certidão da Secretaria Judiciária do STF sobre a Reclamação 79.545 e perguntou se ele havia feito despacho. O deputado respondeu que sim, no dia anterior.

Em 23 de junho, Valéria perguntou a Mariângela qual seria o próximo passo após o despacho. Mais tarde, afirmou que o assunto havia sido reforçado e que alguém havia ligado diretamente. No dia seguinte, mencionou a reclamação relacionada a Michelle, Beberibe e Nunes Marques, além de perguntar se havia pedido de vista.

Em 21 de agosto de 2025, após receber uma resposta protocolar do gabinete de Nunes Marques a um pedido de audiência ligado à Reclamação 81.608, Mariângela demonstrou frustração. Na conversa, citou a possibilidade de que pessoas próximas a Gilmar Mendes pudessem considerar sua condição de advogada. Cezinha respondeu que iria verificar a situação. Em 28 de agosto, ele pediu novamente uma imagem do pedido de agenda.

A representação da PF afirma que Gilmar Mendes, André Mendonça e Kassio Nunes Marques aparecem nos diálogos apenas como possíveis destinatários da influência mencionada pelos investigados, e não como suspeitos. Os investigadores também registraram que o recebimento de parlamentar, a audiência com advogado constituído e a análise de memoriais são atos lícitos, ligados ao exercício da jurisdição e ao direito de petição.

Para a Polícia Federal, as conversas indicam que Mariângela e Valéria estabeleceram uma parceria para buscar decisões favoráveis em processos no STF, com auxílio de Cezinha de Madureira. O deputado e Valéria foram alvos de busca e apreensão nesta segunda-feira, 14.

A defesa de Cezinha e Valéria declarou que está à disposição das autoridades e prestará os esclarecimentos necessários. Também afirmou que, com o contraditório e o acesso da defesa aos elementos da investigação e ao processo, os fatos serão esclarecidos.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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