São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Política

Pesquisa aponta alta na percepção de envolvimento do STF no caso Banco Master

Levantamento mostra que 85,1% dos entrevistados veem participação direta de ministros do STF no caso envolvendo Daniel Vorcaro.

Pesquisa aponta alta na percepção de envolvimento do STF no caso Banco Master
Foto: Alejandro Zambrana/STF

A parcela de brasileiros que veem envolvimento direto de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) no caso Banco Master subiu de 66,1% para 85,1%, mostra pesquisa Atlas divulgada nesta terça-feira, 22. O levantamento foi realizado após a divulgação de dados da Polícia Federal sobre a proximidade entre o dono do banco, Daniel Vorcaro, e autoridades.

Entre os entrevistados, 4,4% disseram não acreditar na participação direta de integrantes da Corte, enquanto 10,5% afirmaram não saber. Em março, 14,9% negavam o envolvimento e 18,9% não souberam responder.

Perfil dos entrevistados

A maior proporção de respostas que apontam participação de ministros está entre jovens de 16 a 24 anos, com 99,3%, moradores da Região Norte, com 99,2%, eleitores que não votaram no segundo turno das eleições presidenciais de 2022, com 98,7%, e evangélicos, com 95,8%.

Entre os que rejeitam a hipótese de envolvimento, os maiores percentuais aparecem entre pessoas que se declaram agnósticas ou ateias, com 14,8%, e entrevistados com renda familiar entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, com 10,5%. Na sequência estão brasileiros de 60 a 100 anos, com 9,5%, e eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022, com 9%.

O levantamento também registra maior adesão à percepção de envolvimento entre homens e entre pessoas com maior escolaridade. Evangélicos aparecem acima de católicos, ateus, agnósticos e seguidores de outras religiões nesse grupo. No recorte regional, moradores do Nordeste apresentam menor proporção de respostas favoráveis à hipótese do que os moradores das demais regiões.

A pesquisa ouviu 1.852 brasileiros entre os dias 17 e 21 de setembro, por meio de recrutamento digital aleatório. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

Mensagens e contratos

A percepção registrada no levantamento ocorre depois da divulgação de documentos produzidos no contexto da Operação Compliance Zero. Um relatório da Polícia Federal listou 51 mensagens enviadas por Vorcaro ao ministro Alexandre Moraes em 21 dias. Os registros incluem pedidos, consultas, cobranças e agradecimentos.

André Mendonça, então relator do caso no STF, retirou o sigilo do documento que detalhava os diálogos. Segundo o relatório, Vorcaro perguntou a Moraes, na antevéspera de sua prisão, se deveria deixar o país e solicitou ajuda junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

O material também registra um contrato de R$ 50 milhões entre Vorcaro e um escritório, pago com a transferência de cotas de duas aeronaves. Em outubro de 2025, Giuliana e Alexandre Barci de Moraes receberam cartões de crédito do Banco Master com limite de R$ 300 mil, conforme solicitação feita pelo escritório Barci de Moraes.

Edson Fachin, presidente do STF, distribuiu aos demais gabinetes a íntegra dos dados extraídos do celular de Vorcaro. As informações incluem pagamento de R$ 500 mil ao escritório de Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques, e referências a Rodrigo Fux, filho de Luiz Fux.

Também aparecem nos registros reuniões de Vorcaro com André Mendonça e Gilmar Mendes. Mendonça reconheceu o encontro e deixou a sociedade do instituto educacional que mantinha. Gilmar confirmou uma reunião para tratar de uma causa de interesse do banqueiro. O caso ainda envolve o resort Tayayá, no Paraná, relacionado a Dias Toffoli e a Fabiano Zettel, cunhado e operador financeiro de Vorcaro.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.

Em alta

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5