BRASÍLIA — Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro concentraram parte da campanha presidencial no Nordeste, região que reúne 27,42% do eleitorado nacional e vota majoritariamente no PT desde 2006. A estratégia dos dois candidatos é diferente: Lula busca preservar sua vantagem histórica, enquanto Flávio tenta reduzir a distância entre o PL e o partido adversário.
Lula esteve em Alagoas na quinta-feira, 24, e em Pernambuco nesta sexta-feira, 25. Na próxima semana, deverá visitar Amazonas e Pará, antes de retornar ao Ceará e à Bahia. Depois, a agenda presidencial se concentrará no Sudeste.
A movimentação também atende a disputas estaduais. Na Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) enfrenta o ex-deputado ACM Neto (União) em uma disputa descrita como parelha pela reeleição. Em Alagoas, o senador Renan Filho (MDB) e o ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas (PSDB) aparecem em empate técnico na corrida pelo governo, enquanto Renan Calheiros (MDB) disputa uma vaga no Senado.
Em Pernambuco, Lula participou da campanha do ex-prefeito de Recife João Campos (PSB), que disputa o governo estadual com a governadora Raquel Lyra (PSD). No Ceará, a estratégia petista é associar o presidente a Elmano de Freitas (PT), candidato à reeleição. As pesquisas citadas apontam empate técnico entre Elmano e Ciro Gomes (PSDB).
A ofensiva do PL
Flávio Bolsonaro colocou o Nordeste como a segunda prioridade de sua campanha, atrás do Sudeste. O vice escolhido, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), é da região, assim como Rogério Marinho, senador pelo Rio Grande do Norte e integrante da equipe do candidato.
O candidato já visitou seis dos nove Estados nordestinos: Alagoas, Rio Grande do Norte, Ceará, Pernambuco, Bahia e Maranhão. A previsão é que vá a Sergipe no fim de semana. Em seus discursos, tem afirmado que um eventual governo não alteraria os programas sociais criados pelo PT.
Em Vitória da Conquista (BA), Flávio abordou o Bolsa Família e atribuiu ao ex-ministro João Roma a sugestão para o reajuste do benefício durante o governo Jair Bolsonaro. Em Maceió, no mês passado, afirmou que o programa chegou ao valor mínimo de R$ 600 durante a gestão do ex-presidente e associou a perda de poder de compra à manutenção desse valor.
O PL também vinha preparando sua atuação na região antes da eleição. Em 2025, Rogério Marinho levou Jair Bolsonaro a uma turnê pelo Nordeste chamada Rota 22, voltada à divulgação de obras do governo anterior.
No segundo turno de 2022, Lula teve 69,34% dos votos nos Estados nordestinos, contra 30,66% de Jair Bolsonaro. Na disputa nacional, os percentuais foram de 50,90% e 49,10%, respectivamente. A campanha de Flávio aposta que a corrosão do poder de compra e o endividamento das famílias podem abrir espaço para o PL.
A região, portanto, é tratada como um campo decisivo para as duas campanhas. Para Lula, a prioridade é manter a vantagem e apoiar aliados locais. Para Flávio, o objetivo é ampliar a votação em um reduto petista e reduzir a diferença acumulada pelo adversário.






