Segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Política

Nomes de urna usam profissões e apelidos para aproximar candidatos do eleitor

Especialista afirma que títulos e referências populares facilitam a memorização, mas podem gerar rejeição quando parecem artificiais ou incompatíveis com o cargo.

Nomes de urna usam profissões e apelidos para aproximar candidatos do eleitor
Foto: Imagem ilustrativa gerada por IA/Google

Profissões, títulos, apelidos e referências a atividades comunitárias aparecem nos nomes de urna de candidatos nas eleições gerais deste ano. A escolha pode facilitar a identificação e a memorização, mas também provocar rejeição quando o eleitor percebe artificialidade ou incompatibilidade entre o nome e o cargo disputado.

Para o cientista político e professor da Uniasselvi Rafael Adílio dos Santos, esses nomes funcionam como atalhos cognitivos. Eles reduzem o esforço necessário para reconhecer o candidato em uma disputa com muitos concorrentes e sugerem, de forma imediata, sua área de atuação, seus valores ou sua ligação com determinado grupo social.

Entre as referências profissionais estão “doutor”, “doutora”, “enfermeira”, “professor”, “delegado” e “sargento”. Também aparecem nomes associados ao cotidiano e às comunidades, como “Zé do Bar”, “Chico da Padaria”, “Amanda Mototáxi”, “Mateus do TI”, “Rita da Enfermagem” e “Rosa das Comunidades”. Apelidos como “Sabugo”, “Curubão” e “Magrinha” seguem a mesma lógica de aproximação e reconhecimento.

Segundo Rafael, a estratégia tende a ter maior aderência em eleições proporcionais, como as disputas para deputado, nas quais nomes ligados à rotina das comunidades podem transmitir autenticidade e representatividade. O recurso, porém, pode ser menos eficaz em campanhas para o Poder Executivo, quando um apelido folclórico ou sem histórico social reconhecido passa a impressão de falta de gravidade institucional.

O Amazonas tem exemplos de candidatos eleitos com títulos e referências profissionais nos nomes de urna. Em 2022, Capitão Alberto Neto foi reeleito para a Câmara dos Deputados. Na Assembleia Legislativa do Amazonas, foram eleitos Comandante Dan, Dr. George Lins, Dra. Mayara Pinheiro, Professor Sinésio, Dr. Gomes, Cabo Maciel e Delegado Péricles.

A escolha também pode criar um personagem eleitoral, especialmente quando o rótulo ocupa espaço maior do que a trajetória, as propostas e a capacidade de gestão do candidato. Para Rafael, títulos como “doutor”, “professor”, “delegado”, “enfermeira”, “protetor” e “ativista” podem transferir à imagem política parte da credibilidade ou da autoridade associada à profissão ou à causa.

O efeito, contudo, é de via dupla: o nome ajuda a identificar representantes de segmentos específicos, mas pode induzir o eleitor a confundir prestígio profissional com competência para exercer um cargo político. A memorabilidade ainda é tratada como parte central da comunicação de campanha, por retirar o candidato do anonimato e colocá-lo entre as opções consideradas no momento do voto.

Rafael diferencia os apelidos já consolidados socialmente daqueles criados exclusivamente para a campanha. Os primeiros tendem a transmitir pertencimento e confiança por refletirem a vida do candidato no bairro, na profissão ou na comunidade. Os segundos podem chamar atenção e facilitar a lembrança, mas, se percebidos como uma jogada de marketing, também podem soar oportunistas e afastar votos.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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