BRASÍLIA — O Movimento Cultura com Lula promove ações presenciais e digitais em favor da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, mas suas páginas e perfis não estão registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nem aparecem na prestação de contas oficial. Os organizadores afirmam que a iniciativa é espontânea, voluntária e independente da campanha oficial.
A estrutura é liderada por João Paulo Mehl, do PT do Paraná, e tem como coordenador-geral Márcio Tavares, secretário-executivo do Ministério da Cultura. Roberta Malvão, coordenadora-geral dos escritórios estaduais da pasta, também participa do movimento. A ministra Margareth Menezes esteve em uma transmissão virtual do grupo, que teve mais de 21 mil espectadores, ao lado da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja.
A campanha mantém um site para receber adesões de candidaturas governistas, disponibiliza materiais para camisetas e conteúdos para redes sociais e organiza grupos de WhatsApp. Nessas comunidades, mensagens eleitorais aparecem junto de comunicações institucionais ligadas a políticas públicas, como as do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC). O grupo convocou uma mobilização para o próximo dia 26, em espaços como bares, praças, cafés, livrarias, restaurantes e locais culturais de todos os Estados.
Participação de servidores e Pontos de Cultura
O movimento também reúne integrantes dos Pontos de Cultura, que chegaram a 17 mil no atual governo. De acordo com o Ministério da Cultura, são grupos, coletivos ou organizações da sociedade civil reconhecidos por desenvolver e articular atividades culturais em suas comunidades. No ano passado, essas estruturas receberam R$ 240 milhões. Em ações de rua, militantes usaram faixas com a mensagem “pontos de cultura com Lula”.
Os escritórios estaduais do ministério e as coordenações estaduais do movimento desempenham funções semelhantes. A pasta descreve seus escritórios como estruturas voltadas à defesa da democracia e do direito à cultura. O Movimento Cultura com Lula afirma ter entre seus objetivos defender a democracia, os direitos culturais e o governo.
O Ministério da Cultura declarou que orientou seus agentes públicos a seguir a legislação eleitoral e negou o uso da estrutura da pasta em atividades político-eleitorais. A assessoria da campanha afirmou que o movimento não integra a campanha oficial. Mehl disse que participar da política é um direito e definiu a iniciativa como aberta, democrática, sem vínculo institucional ou remuneração.
Recursos públicos e infraestrutura tecnológica
Mehl é fundador e proprietário da ONG Coletivo Soylocoporti, que recebeu R$ 3,4 milhões do Ministério da Cultura e R$ 2,3 milhões do Ministério das Cidades desde 2023. A entidade foi escolhida para coordenar o Comitê de Cultura do Paraná. O contrato inicial com o Ministério da Cultura era de R$ 2,6 milhões e recebeu, em maio deste ano, um aditivo de R$ 1.024.747,62, válido até fevereiro de 2027. Mehl afirmou ter deixado o comitê há alguns meses.
O site do movimento está registrado em nome de Mehl e de Michel Fonseca Ferreira, conhecido como Michel Urânia, integrante do Comitê de Cultura do Paraná. A página utiliza a infraestrutura de programação da Rede Livre, coordenada por Mehl e formada por mais de 1300 sites no Brasil e em outros 10 países da América Latina. A rede também reúne blogs e influenciadores governistas, além de manter campanhas para captar doações privadas.
As regras eleitorais proíbem propaganda na internet em sites ou perfis de redes sociais de pessoas jurídicas, com ou sem fins lucrativos. Mehl não detalhou despesas, número de participantes ou serviços subcontratados para viabilizar o movimento. Disse que as atividades são voluntárias e classificou a Rede Livre como um coletivo de ativistas dedicado à liberdade de expressão e à democratização do conhecimento.







