São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Milton Leite preserva influência política mesmo fora da Câmara de São Paulo

Ex-vereador mantém articulação na política paulistana, enquanto decisão judicial o relaciona à Transwolff, acusação que ele nega.

Milton Leite preserva influência política mesmo fora da Câmara de São Paulo

A influência de Milton Leite na política paulistana continua mesmo depois de sua saída da Câmara Municipal. O ex-vereador, que não disputou um novo mandato, mantém atuação nos bastidores e tem concentrado sua presença pública na campanha dos filhos Alexandre Leite e Milton Leite Filho, candidatos a deputado estadual e federal, respectivamente.

Alexandre Leite ocupou a Secretaria de Relações Institucionais da gestão do prefeito Ricardo Nunes, cargo que deixou para disputar a eleição de outubro. Em novembro de 2025, Milton Leite também convocou parlamentares de sua bancada para defender que seu afilhado, Silvão Leite, assumisse a presidência da Câmara. Em dezembro, Ricardo Teixeira foi reeleito para o cargo.

A trajetória de Milton Leite no Legislativo municipal durou sete mandatos, de 1997 a 2024. Ele presidiu a Câmara em 2017 e 2018 e de 2021 a 2024. Ao todo, comandou a Casa por seis anos e foi o presidente mais longevo desde a redemocratização.

Atuação na zona sul

O eixo político de Leite tem origem na zona sul da cidade. Em junho de 2025, a Assembleia Legislativa concedeu a ele o Colar de Honra ao Mérito Legislativo, a maior honraria da Casa. A publicação oficial atribuiu a homenagem à atuação em preservação de mananciais, desenvolvimento urbano e habitação, especialmente em regiões da periferia paulistana.

Na cerimônia, Leite mencionou ter começado a vida profissional como vendedor de pão no bairro do M’Boi Mirim. “A carreira política deve ser pavimentada por uma coisa muito importante: a palavra”, afirmou, conforme o registro da Assembleia.

Investigação sobre a Transwolff

A operação do Ministério Público e da Polícia Civil investiga uma suposta infiltração do PCC no transporte paulistano. A decisão judicial que autorizou a ação, assinada pelo desembargador Sérgio Ribas, afirma que Leite seria “o dono de fato” da Transwolff, empresa acusada de lavar dinheiro para a facção. A companhia nega a acusação.

O nome do ex-vereador também aparece em investigação da Corregedoria da Polícia Militar sobre supostas conexões com policiais presos por atuar na escolta particular de dirigentes da empresa. Em uma mensagem, o sargento Nereu Aparecido Alves chamou Leite de “chefe” ao falar com Cícero de Oliveira, diretor da Transwolff.

Depoimentos indicaram que a escolta era organizada pelo capitão Alexandre Paulino Vieira, que trabalhava na Assessoria Policial Militar da Câmara desde outubro de 2014. Em interrogatório de 4 de fevereiro, o sargento Alexandre Aleixo Romano Cezario disse acreditar que Vieira havia sido indicado por Leite para coordenar a segurança.

Leite afirmou que não conhecia o sargento e que nunca indicou policiais para trabalhar na empresa. Também negou ser proprietário da Transwolff e qualquer relação com o PCC. Disse ainda que estava fora de São Paulo e que não estava foragido: “Vou me entregar em 24 horas. Estou me organizando com meus advogados”.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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