São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Lula concentrou 112 casos de conteúdo gerado por IA na pré-campanha

Levantamento identificou 413 casos de uso político de inteligência artificial entre 1º de janeiro e 15 de agosto.

Lula concentrou 112 casos de conteúdo gerado por IA na pré-campanha

Lula foi o principal alvo de conteúdos produzidos ou manipulados com inteligência artificial durante a pré-campanha, com 112 casos de reprodução artificial de sua imagem ou voz. O dado consta de levantamento do Observatório IA nas Eleições, iniciativa conjunta da Data Privacy e do Aláfia Lab.

Flávio Bolsonaro apareceu em seguida, com 57 casos. Também foram identificados conteúdos envolvendo Jair Bolsonaro, Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e Nikolas Ferreira.

Ao todo, o observatório registrou 413 casos de uso político de inteligência artificial nas redes sociais entre 1º de janeiro e 15 de agosto, média de 1,8 caso por dia. Em relatório divulgado nesta segunda-feira (14), a entidade informou que 81% dos conteúdos eram deepfakes, com manipulação de imagens ou falas de figuras públicas. Em 63% das publicações, não havia identificação de que se tratava de conteúdo sintético.

As duas práticas contrariam regras do Tribunal Superior Eleitoral. Em resolução publicada em março, a Justiça Eleitoral determinou que candidaturas informem de maneira explícita, destacada e acessível quando um conteúdo tiver sido fabricado ou manipulado, além de indicar a tecnologia usada. O TSE também proibiu deepfakes usados para prejudicar ou favorecer candidaturas.

Um dos episódios citados foi a transmissão, durante a convenção partidária que confirmou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, de um conteúdo que simulava um discurso de Jair Bolsonaro. Como a divulgação ocorreu para o público interno do partido, não houve punição.

A maior parte das publicações veio de pessoas anônimas. Entre os agentes políticos, foram identificadas 92 publicações feitas por políticos e 53 por partidos. Flávio Bolsonaro foi o político que mais publicou conteúdos sintéticos, com 13 casos. O PL liderou entre as siglas, com 28 publicações, seguido por PT, com quatro, e PSDB, com duas.

Características e plataformas

Segundo o levantamento, 60% dos conteúdos eram de sátira ou humor e 40% foram classificados como desinformação. Críticas ou ataques políticos representaram 64%, enquanto 34% das publicações foram usadas para elogiar ou endossar políticos e causas. Em seis casos, imagens de políticos foram utilizadas em golpes virtuais.

O observatório também identificou imagens adulteradas de Érika Hilton e um deepfake de Michelle Bolsonaro em ataques contra mulheres. O Instagram concentrou 50% dos casos, seguido por TikTok, com 21%, e X, com 16%. Também houve registros no Facebook, YouTube e Kwai.

Entre abril e agosto, cinco chatbots gratuitos disponíveis no Brasil — ChatGPT, Gemini, Grok, DeepSeek e Meta AI — responderam mensalmente a 11 perguntas idênticas. O objetivo era avaliar se as ferramentas ranqueavam, traçavam perfis ou recomendavam pré-candidatos à Presidência. O observatório afirmou que as empresas forneceram informações, orientações ou indicações que poderiam influenciar o debate público e a escolha do voto, sem seguir as novas regras do TSE.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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