BRASÍLIA — A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que analisaria a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes terminou sem decisão nesta terça-feira (15). O ministro Flávio Dino pediu vista, após mais de seis horas de discussões e embates entre integrantes da corte.
Em entrevista à Record, o presidente Lula defendeu que as informações do caso Master sejam abertas integralmente. Ele afirmou que André Mendonça, ministro do STF indicado por Jair Bolsonaro, liberava trechos das investigações de acordo com seus próprios interesses.
O relatório da Polícia Federal apontou Moraes como interlocutor de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Mendonça retirou o sigilo das mensagens entre os dois. Lula também questionou a participação de Dias Toffoli e Kássio Nunes Marques, que se declararam impedidos de julgar o tema.
Toffoli alegou motivos de “foro íntimo”. Kássio justificou o impedimento por ser presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os nomes dos dois ministros e de familiares apareceram no decorrer das investigações do caso Master.
Cobrança por investigação
Lula disse que a Suprema Corte deve recuperar a confiança da sociedade e defendeu que eventuais responsáveis sejam julgados e punidos. Também pediu a abertura do sigilo telefônico de todos os envolvidos e afirmou que ninguém deve escapar de julgamento diante de suspeitas ou acusações.
“É preciso investigar a todos, sem distinção”, declarou o presidente.
Ele voltou a defender uma reforma do Judiciário e a criação de critérios para magistrados. Segundo Lula, a falta de confiança nas instituições responsáveis por julgar a sociedade exige medidas de moralização.
O presidente afirmou ainda que Edson Fachin, presidente do STF, tem condições de ampliar a apuração. Em entrevista ao SBT, na semana passada, Lula havia dito que Fachin colocou “um pouco de ordem na casa”, mas esperava novas providências.
A crise no STF é explorada pela campanha de Flávio Bolsonaro, principal rival de Lula na corrida eleitoral, para associar o presidente a Moraes. A equipe de Lula tenta afastar essa relação por meio de manifestações oficiais e da defesa de investigações abrangentes.
Segurança pública
Na mesma entrevista, Lula prometeu uma ação experimental contra o tráfico de drogas e armas na sexta-feira (18), no Rio de Janeiro. Ele disse que o ministro da Fazenda precisará se preparar para dobrar o efetivo da Polícia Federal.
Questionado sobre a classificação de facções como terroristas, Lula afirmou que elas são terroristas para a população brasileira, mas não no sentido de terrorismo de Estado associado ao debate levantado por Donald Trump sobre organizações como PCC e CV.







