A libertação de detidos ligados a dois casos de repercussão na Venezuela está entre as medidas adotadas após a segunda rodada de negociações entre o governo interino de Delcy Rodríguez e a oposição. O Foro Penal confirmou a saída de Frank Cabañas, relacionado ao caso de Óscar Pérez, e de seis pessoas acusadas na chamada Operação Gedeón.
Cabañas estava ligado ao grupo de Pérez, inspetor de polícia e piloto que se rebelou contra o governo de Nicolás Maduro e morreu durante uma operação militar em 2018. Organizações de direitos humanos afirmam que a ação foi uma execução extrajudicial, sob a alegação de que o grupo havia tentado se render. O caso foi levado à Corte Interamericana de Direitos Humanos.
No episódio conhecido como Operação Gedeón, o governo venezuelano acusou civis e militares venezuelanos e americanos de participar de uma tentativa de derrubar Maduro. Entre os libertados está Josnars Baduel, filho do general Raúl Isaías Baduel, que ocupou o cargo de ministro da Defesa durante o governo do ex-presidente Hugo Chávez.
Balanço das libertações
Organizações de direitos humanos informaram que cerca de 40 pessoas detidas por motivos políticos deixaram diferentes prisões do país entre sexta-feira e sábado (26). A ONG Justiça, Encontro e Perdão confirmou diretamente 39 libertações, incluindo cerca de oito mulheres acusadas de “narcoterrorismo” em 2021.
A segunda rodada de diálogo terminou na sexta-feira (25), com mediação dos Estados Unidos. A oposição se comprometeu a incluir a situação dos presos políticos nas discussões com o governo. Dinorah Figuera, líder oposicionista nas negociações, defendeu a libertação de todos os detidos por suas posições políticas.
O último balanço do Foro Penal, divulgado em 18 de setembro, registrava 344 presos políticos na Venezuela. A organização ainda não havia atualizado o número. Oscar Murillo, coordenador da ONG Provea, pediu a libertação de “todas as pessoas injustamente detidas” e a garantia de seus direitos.
Rodríguez promulgou uma lei de anistia em fevereiro, após a captura de Maduro, mas as libertações têm ocorrido de forma gradual. Familiares mantêm protestos frequentes, incluindo vigílias próximas à Embaixada dos Estados Unidos na Venezuela e à prisão El Rodeo I.







