Kiko Caputo (Novo), ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal, apresentou propostas para o governo local baseadas em um choque de gestão. Último entre os seis principais candidatos ao cargo a participar da sabatina, ele defendeu a revisão de isenções fiscais, a redução do uso político da máquina pública e medidas para melhorar a segurança.
Gestão pública e contas
Caputo afirmou que pretende substituir indicações políticas por servidores públicos em cargos de direção. Segundo ele, o Distrito Federal tem 33 secretarias e 21.603 cargos distribuídos entre cabos eleitorais. O candidato também criticou a existência de estruturas sem orçamento próprio e citou a secretaria de apoio às pessoas com deficiência, que, segundo sua avaliação, dispõe de 120 cargos, mas não tem orçamento.
Para as contas públicas, Caputo propôs fechar o que chamou de ralos da corrupção e ampliar a transparência. Ele afirmou que o orçamento do próximo ano será de quase 75 bilhões de reais e que esse valor é mais de 40% superior ao orçamento de Goiás. Também disse que o Distrito Federal será o maior gastador do Brasil em saúde pública e educação, embora esteja em último lugar no IDEB.
Sobre sua gestão na OAB-DF, o candidato rejeitou críticas relacionadas a uma dívida de R$ 1,5 milhão e à tentativa de penhora da sede. Caputo afirmou que a rejeição das contas teve motivação política e que o Conselho Federal da Ordem aprovou os gastos por unanimidade. Ele também disse ter reorganizado a entidade, ampliado sua presença em cidades do Distrito Federal e incluído duas mulheres entre os três titulares da bancada no Conselho Federal.
Segurança e desenvolvimento
Na segurança, Caputo defendeu câmeras corporais para policiais e agentes, além de segurança jurídica para as forças policiais. Ele afirmou que a Procuradoria do Distrito Federal deverá proteger policiais militares e civis no exercício de suas funções. O candidato, porém, manteve a oposição ao uso de armas por agentes do Detran-DF, argumentando que operações de maior risco podem contar com apoio da Polícia Militar.
Caputo também propôs revisar as isenções concedidas a empresas. Benefícios que gerarem retorno para a população seriam mantidos, enquanto aqueles que beneficiarem apenas empresários seriam retirados. Ele citou taxa de desemprego de 7,6% no Distrito Federal, contra 5,6% na média nacional, 4% em Goiás e 2,5% em Mato Grosso. Nas áreas próximas ao Distrito Federal, afirmou, o índice chega a 24%.
O candidato disse que criará um escritório de negócios ligado ao gabinete da governadoria para atrair investimentos. Também criticou a falta de uma subestação de energia prometida há mais de 20 anos no Polo JK e afirmou que uma indústria farmacêutica funciona com gerador a diesel por causa da instabilidade energética.
Em relação ao Fundo Constitucional, Caputo afirmou que o Distrito Federal receberá R$ 29 bilhões no próximo ano. A proposta é reduzir a dependência desses recursos por meio da atração de empresas, da geração de empregos e da cobrança de impostos. Para ele, a política fiscal deve cobrar mais de quem pode pagar e aliviar a carga de quem não tem a mesma capacidade.







