SÃO PAULO — Fernando Haddad (PT), candidato ao governo de São Paulo, defendeu que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) mencionados em investigações colaborem com as apurações e permitam que o Ministério Público e a Polícia Federal concluam o trabalho. Ele não citou nomes de integrantes da Corte.
“Se você está mencionado numa investigação, eu acho que você tem que torcer para a investigação chegar até o final”, afirmou Haddad. Para ele, o princípio deve valer de forma igual para todos e não pode haver tratamento baseado em alinhamento ideológico.
O candidato também voltou a defender a quebra dos sigilos das investigações sobre o escândalo financeiro antes das eleições. Segundo Haddad, o pedido de vista feito pelo ministro Flávio Dino será prejudicial se durar 90 dias, mas não representará um problema caso sirva para organizar a análise do caso em 90 horas.
Críticas ao governo paulista
Haddad afirmou que a situação de São Paulo está inspirando cuidado e criticou a administração do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que classificou como de extrema direita. Entre os problemas citados estão as finanças estaduais, a educação, as filas do SUS, a segurança pública e o ritmo da economia paulista.
Na segurança, propôs a criação de uma Agência Estadual Antifacção, com participação de órgãos estaduais e federais. A proposta, segundo ele, reúne referências de Goiás, Rio Grande do Sul e Piauí. Haddad disse que o crime organizado se beneficia das falhas de articulação entre as instituições e defendeu a presença permanente da Polícia Federal, da Receita Federal, da Receita Estadual, da Fazenda e do COAF em um grupo de trabalho coordenado pelo governador.
O petista também afirmou que pretende alterar o sistema de câmeras corporais da Polícia Militar para retomar a gravação contínua. Segundo ele, a letalidade policial em São Paulo dobrou durante a gestão de Tarcísio, enquanto a sensação de insegurança permanece elevada.
Na educação, Haddad disse que não ampliará o programa de escolas cívico-militares, que possui 100 unidades em 89 municípios, e deixará às comunidades a decisão sobre a manutenção das unidades existentes. Também criticou a padronização das aulas por plataformas digitais.
Bets, contratos e sucessão no PT
Haddad prometeu proibir as bets no Estado de São Paulo caso seja eleito. Ele afirmou que a atividade não gera bem-estar, emprego ou arrecadação suficiente para compensar os efeitos que atribui ao setor.
O candidato também defendeu a revisão de incentivos fiscais e de contratos estaduais. Disse que pretende tornar públicos, por CNPJ, os benefícios concedidos e revisar os acordos durante os seis meses iniciais de governo.
Sobre o futuro do PT após Lula, Haddad afirmou que não há um sucessor natural para o presidente e que um leque de possibilidades deve surgir a partir do ano que vem. Ele não descartou o apoio do partido a uma candidatura de fora da legenda e citou Eduardo Campos como exemplo de um nome que já esteve nesse horizonte de alianças.
Na área habitacional, Haddad disse ter entregue cerca de 15 mil unidades quando foi prefeito e viabilizado mais de 100 mil. Também afirmou que pretende levar ao interior paulista diretrizes do plano diretor da capital para ampliar a construção de moradias de interesse social.







