BRASÍLIA — O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tentou falar com o banqueiro Daniel Vorcaro nos quatro dias anteriores à prisão do empresário, em 17 de novembro de 2025. As informações foram extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro, apreendido na ocasião.
As tentativas ocorreram uma vez por dia. Em 13 de novembro de 2025, Flávio enviou mensagens perguntando se o banqueiro poderia atender. Vorcaro respondeu que retornaria em meia hora, mas não há registro de ligação na conversa.
No dia 14 de novembro, o senador fez uma chamada de voz, que não foi atendida. Em 15 de novembro, Vorcaro justificou a ausência e Flávio voltou a perguntar se ele poderia falar. No dia seguinte, houve outra chamada perdida. O banqueiro afirmou que estava na igreja e que telefonaria depois.
Na sequência, Flávio escreveu: “S6 preciso que me dê uma luz!”. A assessoria do senador não respondeu às solicitações de posicionamento.
Vorcaro foi preso no final da tarde de 17 de novembro, quando tentava embarcar no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, em um voo para o exterior. O mandado havia sido expedido no início da tarde pela 10.ª Vara Federal de Brasília e seria cumprido em 18 de novembro, mas a execução foi antecipada sob suspeita de tentativa de fuga.
Conversas sobre o filme
O contato entre Flávio e Vorcaro começou em dezembro de 2024. A Polícia Federal, porém, recuperou apenas os três últimos meses das conversas, porque o histórico mais antigo havia sido apagado.
Nesse período, o senador cobrou do banqueiro o repasse de valores para financiar “Dark Horse”, filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em áudio enviado em 8 de setembro de 2025, às 22h11, Flávio afirmou que precisava de uma posição sobre os pagamentos e mencionou compromissos com atores, diretor e equipe.
Vorcaro respondeu às 22h12 que iria viabilizar os pagamentos e disse que resolveria a situação no dia seguinte. Depois, os dois conversaram por uma ligação de WhatsApp com duração de 2 minutos e 38 segundos. O conteúdo desse tipo de chamada não é recuperado pela Polícia Federal.
Em 3 de setembro, o Banco Central havia reprovado o negócio entre o Banco Master e o Banco Regional de Brasília (BRB), após pouco mais de cinco meses de análise.
Em novembro de 2025, já era público que a Polícia Federal investigava crimes envolvendo a gestão do Banco Master. Anotações encontradas no celular de Vorcaro também indicam que ele tinha conhecimento antecipado de que poderia ser alvo de uma medida policial e buscava traçar um plano de fuga do país.
Algumas mensagens foram enviadas ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, a quem Vorcaro pediu ajuda para tentar frear as investigações. Em 15 de novembro de 2025, ele perguntou se já deveria estar fora do país na segunda-feira.







