A mudança na condução do processo sobre as mensagens de Daniel Vorcaro a Alexandre de Moraes antecede a análise, pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, sobre a abertura ou o arquivamento das apurações. Na quarta-feira, 8, o presidente da Corte, Edson Fachin, retirou o caso do gabinete de Moraes e assumiu a relatoria. O processo tramita há sete anos, em meio físico e sob sigilo.
Na próxima terça-feira, 15, os ministros deverão avaliar as investigações que reúnem 51 mensagens enviadas pelo banqueiro a Moraes. Os conteúdos foram revelados e depois liberados por André Mendonça, que havia assumido a relatoria do caso.
Pedidos da OAB-DF
A Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal pediu ao Supremo o encerramento do inquérito das fake news, a abertura de processos de impeachment contra Moraes e Dias Toffoli e a investigação dos dois ministros. A entidade relaciona as solicitações às conexões deles com Vorcaro e às apurações da Polícia Federal sobre negócios do Banco Master.
A seccional também defende o levantamento integral do sigilo das investigações sobre as fraudes envolvendo o Master e as conexões políticas de Vorcaro. Em documento, pediu ao Conselho Federal da OAB uma apuração profunda, isenta e transparente sobre eventuais autoridades envolvidas, incluindo integrantes do Supremo, do Superior Tribunal de Justiça e de outros tribunais.
A entidade quer ainda que Fachin concentre no Supremo as investigações sobre pessoas sem foro privilegiado e depois as encaminhe aos juízes e tribunais competentes. Também propôs uma carta aberta sobre medidas para a reforma do Poder Judiciário.
Conteúdo das mensagens
Relatório da Polícia Federal registra pedidos de Vorcaro para que Moraes interviesse junto a Andrei Rodrigues e Paulo Gonet, com o objetivo de travar investigações sobre negócios fraudulentos do Master. O material também inclui conversas sobre uma possível saída do banqueiro do País antes da prisão, pagamentos ao escritório Barci de Moraes e cartões de crédito com limite de R$ 300 mil para os filhos do ministro.
Entre as mensagens, Vorcaro perguntou: “Acha que 2ª tenho que estar fora?”. Em outra, reclamou: “Pqp. Não pagaram Barci de Moraes. Vamos ter problemas”.
O caso envolvendo Toffoli trata de relações comerciais entre a Maridt Participações, administrada por irmãos do ministro, e fundos ligados ao Master e à Reag. A conexão mencionada está na participação desses fundos em um resort de luxo no Paraná. Dados extraídos do celular de Vorcaro também fizeram questionamentos sobre a atuação de Toffoli na condução de depoimentos e diligências. Ele deixou a relatoria em fevereiro, após uma reunião reservada entre ministros do Supremo.







