BRASÍLIA — A Eurasia Group mantém em 55% a probabilidade de Luiz Inácio Lula da Silva vencer a eleição presidencial, embora reconheça um viés de baixa. Christopher Garman, diretor executivo para as Américas da consultoria, afirma que os modelos analíticos indicam uma disputa equilibrada, com 50% a 50% de chances para Lula e Flávio Bolsonaro.
A vantagem atribuída ao presidente decorre, segundo Garman, da condição de incumbente, do arrefecimento da crise do Supremo Tribunal Federal e das fragilidades ainda não plenamente testadas da campanha de Flávio Bolsonaro. A probabilidade para Lula havia sido reduzida de 60% para 55%.
Campanha e pesquisas
Garman avalia que a crise do STF prejudicou Lula, reduziu sua aprovação e fez a vantagem que tinha no segundo turno desaparecer. Nas pesquisas mais recentes, porém, o recuo da campanha teria parado, enquanto a aprovação do presidente voltou a crescer. A média dos levantamentos passou a indicar quase empate entre os candidatos.
A Eurasia considera que anúncios do governo, como o aumento do Bolsa Família, a restrição das bets e a renegociação de dívidas pelo Desenrola 3.0, podem ajudar Lula a deslocar o foco do debate. A repercussão da proibição das bets, o alívio da dívida para consumidores e a fake news envolvendo Nossa Senhora Aparecida também teriam dado ao presidente um pequeno ímpeto na última semana do primeiro turno.
Garman ressalva que essas medidas não são suficientes, por si só, para definir a disputa. Para ele, o ponto central é a capacidade da campanha de retirar das manchetes as denúncias relacionadas ao Supremo e levar o debate para temas mais favoráveis ao governo. A qualidade das campanhas e eventuais novas denúncias contra Flávio Bolsonaro também estão entre os fatores observados pela consultoria.
As pesquisas indicam empate técnico, mas Garman afirma que alguns institutos podem estar subestimando o voto da direita. Ele aponta dificuldades para estimar quem comparecerá às urnas e mudanças no perfil dos entrevistados como fatores que ajudam a explicar erros nos levantamentos.
Primeiro turno e abstenção
A possibilidade de definição da eleição no primeiro turno é considerada baixa. A soma dos candidatos alternativos está em 12%, ante 18%, e poderia cair para cerca de 8%. Mesmo nesse cenário, a Eurasia considera difícil que um dos dois principais candidatos alcance 51% dos votos.
A consultoria também prevê uma disputa marcada por desânimo e possível aumento da abstenção. Garman afirma que as duas campanhas precisarão mobilizar seus eleitores, embora esse tipo de estratégia não tenha tradição no Brasil. O perfil de quem deixará de votar é incerto, e o desalento atinge as bases de Lula e Flávio Bolsonaro.
No segundo turno, a relação entre o resultado inicial e os votos dos candidatos alternativos será determinante. Uma vantagem de Lula de 2 pontos porcentuais no primeiro turno, com os demais candidatos somando de 8 a 10 pontos porcentuais, indicaria ligeira vantagem para o presidente na etapa seguinte. Com diferença de um ponto porcentual, Flávio poderia sair à frente, na avaliação apresentada por Garman.






