São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Política

Entidades cobram espaço para propostas na eleição em meio à crise institucional

Representantes da sociedade civil defendem que a crise no Judiciário não afaste temas como clima, ciência, trabalho e direitos indígenas.

Entidades cobram espaço para propostas na eleição em meio à crise institucional
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Representantes de entidades da sociedade civil afirmam que a crise institucional deslocou do debate eleitoral temas como desenvolvimento econômico, ciência, mudanças climáticas, trabalho, soberania nacional e direitos indígenas. A avaliação ocorre a menos de um mês do primeiro turno das eleições de 2026.

As disputas entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que envolveram outras instituições, passaram a concentrar a atenção do noticiário, das redes sociais e das conversas cotidianas, segundo os entrevistados. A presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, afirmou que “o debate eleitoral está prejudicado” pela centralidade assumida pela crise no Poder Judiciário.

Temas estruturais

Francilene Garcia, presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), disse que a agenda pré-eleitoral foi ocupada por assuntos que não foram escolhidos pela sociedade e que deveriam ser discutidos junto com propostas de mudança estrutural. Para ela, ciência, orçamento previsível e regras estáveis são fundamentais para o desenvolvimento nacional.

Os entrevistados consideram graves as suspeitas reveladas pelos desdobramentos da Operação Compliance Zero, cuja primeira fase foi deflagrada em novembro de 2025 pela Polícia Federal (PF). Eles defendem a investigação de eventual envolvimento de autoridades com Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master, mas avaliam que a apuração não deveria eliminar a discussão sobre os programas dos candidatos a cargos executivos e legislativos no dia 4 de outubro.

Daniel Cara, coordenador honorário da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, classificou as eleições de 2026 como as mais relevantes desde a Constituição Federal de 1988. Ele citou como prioridades o desenvolvimento econômico, a soberania nacional e uma agenda que reúna defesa, educação, ciência e tecnologia.

Para Rita Serrano, presidenta do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), a classe trabalhadora prioriza o fim da escala 6×1, a geração de emprego e renda e a regulamentação da negociação coletiva no setor público. Ela também mencionou o Projeto de Lei 1.893/2026, a segurança pública e o aproveitamento de minerais críticos e estratégicos.

Clima e minerais

Márcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, apontou as mudanças climáticas como outro eixo que deveria estar no centro da eleição. Ele citou a seca na Amazônia, as enchentes no Sul do país e os efeitos desses eventos sobre a população, o orçamento público, a reconstrução de cidades e as safras.

Os representantes também destacaram a importância dos minerais críticos e das terras raras para o desenvolvimento econômico, tecnológico e científico e para a soberania nacional. O projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos foi aprovado e encaminhado para sanção presidencial.

As organizações indígenas defendem salvaguardas socioambientais e consulta prévia, conforme a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Alcebias Constantino, coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), afirmou que a exploração desses recursos se relaciona à demarcação e à proteção dos territórios tradicionais.

Para reforçar a presença indígena nos espaços de decisão, o movimento decidiu lançar e apoiar 56 candidatos: 33 a deputado estadual, 19 a deputado federal, dois a senador, um a governador e um candidato à suplência do Senado. Constantino disse que a crise gera instabilidade, mas não interrompe as estratégias de mobilização das comunidades, que mantêm suas ações e prioridades.

Texto produzido pela Redação Mapa do Mercado com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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